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Mostrando postagens de 2015

Machuco o beijo

O limite mostra diversos caminhos que chegam a ele. Já agradeceu a sorte de ser escolhido? Teme se resolve pousar enquanto as asas não envelhecem ou se seus pés criam passos envolvendo lembranças. Em cada tentativa de censura, existe uma sabedoria capaz de cruzar o olhar com a luz. Então, os dias vão aquecendo a caminhada neste amor que, a-mar, transborda.
A carne jovem em dança evapora... Desaparece pelos passes a sua mágoa, e os olhos alegres rompem a aurora... Todas as horas levam ao fim, como baixando o véu róseo das figuras sombrias que se tornam os mais belos trejeitos abstratos do que se pretende. Meu D’us, há uma cintura em meu horizonte... À minha janela, por onde meus olhos lhe perseguem os vales, meu primor vem a ser a angústia de sua saudade...
Na verdade, amamos tudo o que nos desobriga! Mas, quando aprendemos que o sofrimento pode nos melhorar apreendendo-nos, virar o mundo de ponta cabeça, ocasionalmente, é questão de exercitar a resiliência. Sair da caverna de Platão p…

Pluma

Ela ia ao sabor da direção do vento. Testava o horizonte na percepção de uma nova ideogenia... Uma amenidade que me conteve ao mirá-la. Segui, então, a sua doutrina por alamedas e olhares facilitados. O espaço tinha a ela! Individual figura que me concedia o mito do belo, aliás, recompensava.
O dia se depauperava. O sol se despediu com imponência para o ciúme da noite que chega. Pessoas se afastavam fastidiosos, aceitando a desvantagem de suas energias... Os muros fechavam seus olhos com as sombras vindouras... Mas, ela, aqui permanece e torna clara a graça deste tempo, que sempre é hora de amá-la. Em minhas mãos ela se traz habituada com o meu silêncio... Solta-se e me dedica flores a mais na minha vida: uma composição para escrever em pé e repelir letargo! – Repito. Sequer a lua, que longe adornava o reinado estelar, é acrisolada como ela.
Fazer uma notícia que ontem provocasse, pois, a infância. A novidade, deveras, sente a ocasião deste nosso sinal, cuja displicência dos sonhos afo…

O segundo sopro

Resolvemos dormir. Quem confia, na aliança do hábito matrimonial, o espaço de total descompasso do repouso, sabe que o sono apenas chega com o embalo de ambas as respirações, naquele abraço circundante da mesma noite.
Entre um comentário e outro brevemente fechamos os olhos. Era “meio-da-semana” e o meu descanso já penava durante o trabalho. Talvez ela houvesse dito mais algumas palavras, que o movimento taciturno do assunto me acomodou ainda mais em seu ninho...
Passaram-se três, quatro horas de repouso até que ela me acode, me reanima assoprando todo seu ar para dentro de mim, segundo seu relato:
- Amor! Graças a Deus! Estás bem? – ela não esperou minha resposta... – Tu tiveste apnéia! Tu simplesmente paraste! Paraste de respirar! A tua pulsação parou! E tu ainda não me respondeste! – Nesta hora observei que nem meu pai havia dito tantas exclamações numa só frase... Comecei, por fim:
- Não sei... Digo... Parece que “voltei”. Estou com uma forte dor no peito, mais ainda no pescoço…

“Minha bela Marília”

Tomás ao seu nome agraciava com altivo vigor a calma da pétala no toque de sua pele. A beleza sua, Marília, usufruía o tamanho da paz, e as liras de pesar ainda lhe complementavam o encanto do meu pensamento.
O gosto em mim não faltou, Marília. A misteriosa flama criou de minha pequenez o corpo santo do meu fantasma adulto. Acreditei na memória implícita ao ter a consciência do depois. Agi automaticamente, Marília, ao lado que você não me via: era a benevolente capacidade da boneca que sua imagem me servia bela.
Não sabia, mas não parava. Melhor, tinha-lhe eu a mais rósea curiosidade. Ah! Aquela cara de Marília! Cara moldada na profundidade sanguínea dos diálogos de todas as gentes que dela nasciam... Cara de Marília, argumentada na melhor disposição da ventura de qualquer pessoa. E de tão minha pessoal, embora outro dia, ela ficava para sempre; pois não se despedia. Marília me era um ciclo.
Sua cara longilínea, com completo universo frequentado pelas projeções de anônimas vidas que …

Relato docente: a dúvida e o questionamento

Enquanto eu mediava o processo criativo dos alunos – que se acertavam entre poesia e disposição visual – um deles me evoca:
- Criei inspirado no jogo do “pac-man”, dos anos 80. Os caminhos a seguir, melhor, a escolher: o certo, o errado e o duvidoso. Que a senhora acha?
- Hum... Os monstrinhos no errado, os pontos no caminho certo. No duvidoso, ambos se juntam ao bônus... A proposta é interessante, mas... Tu erraste a palavra!
- Como assim, professora?
- Imagina tu chegando frente à placa na qual diz que o próximo passo é duvidoso. Tu recusarias a seguir em frente, verdade?! Ou te atrasarias muito ao tentar decidir com o medo que te enfrenta este caminho: logo te prenderias somente ao ponto de partida.
- É verdade, “sora”. Nunca pensei no quanto a dúvida nos amedronta. Mas, ai... Agora eu fiquei ansioso. O que faço?
- Tu mesmo te respondeste...
A face do aluno, como um filho, questiona.
- Sim. O caminho auxiliar ao certo e ao errado, meu caro, é o questionamento! A questão te prepara…

Àquela que eu não citei as cores

Se tu me deixas desfrutar
Esse róseo pálido do teu fruto
Belo feito bruto diamante
Digo-me amortecer num halo encoberto crepúsculo

Faltam-te as cores

Doente pálida cara funérea
O róseo movimentar dos lábios
E o oco escuro da tua boca
Que esconde a serpente vermelha
A sobreviver pelo ataque

Rósea coloração das pulsadas
                                 cardíacas
Em múltiplos caminhos azulados,
O roxo hematoma do beijo mordido
Suga o sangue, vampiro do colarinho degolado...

Na pele branca
Os dentes brancos
A liba vermelha e escorregadia da obsessão

Não te falta a fome

Tampouco o sorriso amarelo
No pouso das rodas do pássaro prateado.
Guardadas as asas quebradas
As penas cinzentas flutuantes apaziguarão este remendo...

Sobram-te praças

Banhas-te em pingos de folhas verdes
Algumas velhas amarelas páginas, roídas folhas
Desgraçadas traças manuscritas...
Cerco escuro alumiado fumê
Desta noite...
Estrelas te alimentam.... Alento branco esfumado em tua boca...

Um causo daqui (para os anais da escola)

Passada mais da metade da manhã, tudo na escola se conduzia para o primeiro desfecho. Os professores, já esclarecidos das reuniões, cruzavam o portão se despedindo. Alguns continuavam no refeitório a esperar o próximo turno, outros resolviam pendências na Direção, outros ainda não haviam descido do terceiro piso...
Lá se encontrava o quarteto vice-diretora, supervisora, secretária e coordenadora, anotando, repassando, ajustando pedagogicamente as sobras da manhã conforme a rapidez frouxa da fome que se apertava...
No emaranhado da concentração e da discussão, todas ouviram um estouro. O primeiro estouro (ou estampido, logo três delas assim o definiram)! Silenciaram-se atônitas e ouviram o próximo “estampido”.
- Meu Deus! Um atirador! – apavorou-se a secretária decidindo-se por fechar a porta da saleta na qual elas estavam...
Enquanto isso, a coordenadora seguiu sentada com cara de paisagem, a supervisora conseguia se aninhar embaixo da escrivaninha, e a vice-diretora buscava escapa…

E se amanhã a angústia

Amo-a calmamente entre os meus e os seus braços. Amo-a para esquecer, seja por um instante, que somos escravos da pressa que nos resta. O medo ainda pode ser um cuidado com as mesmas mãos que sufocam o trajeto do livre ar durante o corpo. Mas, do abraço dela eu tenho a composição para escrever em pé e repelir letargo... Então, neste tácito mergulho de pelos que ornamenta o piso, juntamente estampado com suas peças íntimas e com suas arrugas, estudo um pouco sobre as relações entre modernismo e mimetismo animal. Desfaço-me da arapuca: a arte é um organismo liberto. Nada que te cobre vale tanto quanto o que te despe. Entretanto, ela não era resoluta, tampouco senhora de si mesma. Permiti-me a sua aflição, sua controvérsia de criação. Deixei-a se questionar (e a se cobrir). Não mais a olhei... Cada eu sabe de sua liberdade. A irresponsabilidade ao usá-la vem do desconhecimento sobre si mesmo (ela continuou protegendo os seios, abraçada nos próprios joelhos). Assim confirmei que a chegad…

Durante a sua insônia...

São suas mensagens que me visitam feito anjos obscuros do desvelo. Breves presságios de uma noite que alguém esqueceu o medo por tal qual estava escuro em seu próprio peito. Assumir e continuar afiam a navalha da escolha: podados os galhos fortes da sua árvore, querida, os frutos a abandonarão... e, da minha árvore, a minha raiz, mãe, desfalecerá derrubando-me.
Ainda sobre a sua insônia, que a cada manhã felicito o dia por lê-la, o seu riso acreditou na beleza. Muitas bobagens em comum de duas professoras cuja alegria tem sua fonte quente de palavras expiradas com o aveludado vento do segredo. Aqui, em meu celular, singelas figurinhas e ditos chistosos se alaram e vieram cuidar meu repouso (preferia que este estivesse ao seu lado, embora nela eu repousasse desperto meu olhar todo amoroso).
A aurora a surpreendeu e as estrelas que testemunharam suas mensagens e semelhança ficaram atrás da luz. Ah, quantas vezes! Na manhã a sua presença encanta... O dia é adocicado pelo seu bom dizer e…

Seu risco pelo livro

“Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o sonho na sua órbita.” (Saramago)
Escondia o meu tempo entre as linhas de Saramago, um livro que me foi dado com apreço por uma amiga, quando entrei nas páginas em que riscos oblíquos e vermelhos faziam pequenas retas abstratas cortando a leitura. Suas mãozinhas inconfundíveis entre os papéis não ficarão esquecidas! Continuarei a leitura com a memória que ali estava, sustentando aquelas tantas situações que presenciei apenas num convento.
No entanto, voltei e percorri os parágrafos que aquela cor sanguínea cuidadosamente se revelara. Ela estava na ordem da loucura, ora da pressa de se poder voar. As duas retas no final da página tinham a pressão cortada do receio e da expansão colorífera da mulher que conseguiu vencer o enredo e atender o filho pedinte. Essas retas formavam um ilusório “L” desajeitado, mas recreativo, ficando no canto do enredo.
Na próxima página, uma direta continuação com ondulada precipitação cortava o diálogo…

O justo perecível

A justiça tem o beijo de Magritte. Nós, de juízes, marcamos as caras sob o branco têxtil da sociedade. Se fomos ao inferno, o comando chantageará a austeridade. Diz-se razão experiente daquele que sofreu, mas ignorante como Creonte.
O livro que acompanha a veste do parecer, tocando no peito a humanidade, acalenta-nos com leveza mítica entre a fantasia e o conhecimento. Introduzem-se os tipos de julgamento à face da novidade pujante ou, mais tarde, com a paciência do tempo que carregou a experiência até ali. O drama é o anseio do inconformado, e não há final para a vaidade, ao contrário da vida.
O herói previne o real: não analisa o céu de um bandido, suspira mais que a antítese do capital, retém a egoísta glorificação. É diferente do comum que bate no muro com a cabeça e abre caminho para todos! Esta cabeça ouviu histórias de fantasmas, despedaçou encarnadas partes do sofrimento na defesa do seu próprio espaço-cenário engajado à paixão da justiça através da liberdade.
Não há maldade, t…

Memorial da existência

Ao se construir vem o concreto e o poder. Do pensamento às mãos, a segunda chance é apenas uma promessa. A vez, então, cumprimento da vontade, ilumina a mudança: norte do conhecimento.
Inventar-se no preceito que somos nós a origem que pensa traz o corpo, antes título do instinto, que sobrevive. A base da busca é o olhar, o conceito é o passo... Embora haja conclusão de uma perda, o encontro sairá de casa com a procura. Até nós, ele assume desejos amórficos de uma perseguição. – O que seria do amor se não aniquilássemos o orgulho? – São caminhos e divindades aceitas de si mesmo a cada passo para trás. Mas o nome ali continua firmando a edificação.  
Seja a massa as caras do nome. Para todo o mundo, é-se o mundo! Logo, em seu mais recôndito solo estão os costumeiros espíritos a viverem para si as experiências que os alienam do mundo e das caras. Constroem aquilo que nada prende ou repete, são velhos sem perda numa matéria que prescinde à natureza se fluindo ao ciclo do verme.
Emancipa-s…

Quando eu te der segredo

Tão longos os seus serpenteares frente a mim, querendo a audácia da música que sorria ao me mirar cantarolando ao vazio. Assim estava ela, tão breve ao meu corpo que teimava não obedecê-la, teimava a escravidão das luzes sobre si, rodando e rodando como a barra do seu vestido sobre as coxas.
Resolvi fitá-la nos olhos, e ainda aquele sorriso de laço encarnado cometia a mensagem dual feminina. Ela gosta do mesmo, ela é igual, prefere as rosas à exatidão, é delicada e quer a si mesma... Descobri que o fino salto do seu salto agulha me liberava a disciplinada nudez de uma fuga. Disse-me ela, então, que me conhecia de algum lugar... Tratei-a, primeiramente, como senhora. E ela me riu informalidade dizendo-me que conta com apenas quarenta e quatro... Ah, tão linda que me fez saber que a educação também comete gafes! Pois tinha eu a plena certeza de que nunca a havia visto... Mas logo emendei umas ilusórias situações de lá e cá do talvez que fizeram nossos encontros do passado, para ela, se…

O rastro e o caramujo

Sem mais inflamam-se os maus juízos proferidos pela pausa dos que esperam. As pernas correm a pé apenas o sangue circundante, cavado nas veias da sistólica ansiedade de qualquer maldizer...
As coxas apoiam o projeto, descansam o labor. Somente a inspiração, ao alto sonhado, voltou-se para ali e despencou desfazendo o nome nos fiapos do cansaço. Os dias provocaram! – é a desculpa do desleixo emocional que os deixou de lado – para trás. No entanto, a cinza do asfalto e das calçadas recebeu os passos voados sem adequação do tempo na vontade de si mesmo, enquanto a lesma antecipou sua lenta precisão e grifou sua passagem de um sinuoso caminho a outro.
Ninguém viu sua pressa voraz. A avaliação se fez seca e paupérrima na deficiência de sua própria marca. Não fez para melhorar, restaram-lhe as informações abandonadas pela saliva. O mais trabalhoso também tortura a gente pela morosidade... E o suor dá polimento à coroa que premia o sonho.
Ser a percentagem que convém a firmada permanência de …

Tão inesperada quanto intensa...

 Esta noite tive um sonho
Um sonho muito atrevido...
Apalpei na minha cama
A forma do teu vestido
(Mário de Andrade)
A sua chegada comporta uma erótica. Com breve vestido, Rhode é tão inesperada quanto intensa! Intensa na sua certeza, inesperada na audácia de sua guisa brincalhona do tempo. Rastrear a obra de Rhode, do seu sorriso transitivo ao poema fragrante, observa a tensão da matéria erótica... Namoro-a desde sua medicina à sua sensualidade. Talvez a sinta dispersa e realmente intensa por tais fragmentos desorganizados de ímpeto e deleite que coleto à ordem do erotismo.
Corpo miúdo de uma “pornografia desorganizada”. Cultura popular de sua beleza – tesouro exemplo na feminina compreensão de vida. Ela elenca o meu eu-lírico que a desenha apalpando-a na ordem estética, com sua forma vestida do proibido. Meu Eros típico de sonho atrevido, que antes desperto convence o domínio do proibido na minha vontade de dar forma ao escondido, derivando o desejo...
Maria atravessou o regato
Molhou a b…

Em terceira pessoa

Percorrer o cimento: há flores pelos trilhos. Não deixar escapar entre os dentes o sorriso: há fome de Ser!
A busca, como Maria, tem a estranha mania de ter fé na vida. Tem o romântico ceticismo de não acreditar na volta, no renascer. Para ela, a morte guarda com carinho os presentes que a vida lhe dá. Logo, o momento se diz fim d’um último segundo.
Enquanto espectros, somos seres de uma dança sem lugar ao som de uma música sem tempo... Sim, a morte possui uma estranha felicidade: diferente da vida, ela é sem tempo e sem espaço, como qualquer amante.
Nunca pensemos que o problema é solitário, já que o corpo é livre como o público. O erro apenas se torna infeliz na discordância do outro; e este é o ouro que salva o pensar do incômodo... De ti mesmo saberás com que certeza o mundo te olha. De nós, logo receptivos, saberemos, como o ser humano terá de melhorar. Voltar sete vezes no anteontem, se for necessário, num amanhã de novos tipos de pessoas da mesma mudança.
A história comoveu leis, …

Reflexões entre colegas: o doce e o maduro

Ensolarado final da manhã em que minha colega e eu nos dispusemos os pés para fora da escola e, enfim, conversar algo somente nosso... Aos passos da rua, ora reta, ora escorrida, ora íngreme e escalada para o céu da fadiga, as velocidades dos mobilizados partiam sem dó os nossos assuntos. Falar alto, dar licença, desviar dos esperados e estar sobre as regras da faixa soavam o antissocial íntimo de nós duas. No rabiscado trajeto dos temas comuns e alheios, minha colega comenta sobre uma conhecida:
- Ela tem o hábito de jogar frutas maduras no lixo... Desperdício estúpido! A fruta madura está no seu estágio maior de doçura e deleite amolecido...
- A natureza frutífera e nós, humanos, na sua magnitude senil... Percebe, somos a elas idênticos.
- Verdade. Meu Deus, nem no meio do fervor transeunte tu deixas de ser filósofa, Lari...
- Quando jovens e adultos, temos a rispidez a favor. Temos a intolerância da razão, o ganho da subserviência sobre a sobrevivência de si. Somos verdes, belos p…

Crônica epistolar: eu, tu, nós duas já temos uma ilusão...

Quer ser... Amada? Mas amada pra valer? Planejamos do labor ao confessionário: ensinamentos ativos de conteúdos projetados rapidamente para o fim, para enfim o resto ter de nós duas o desleixo do segredo... Reter na concupiscência do assunto louco, em meio à pedagógica renovação, aquele beijo reticente dado por certo. Tudo ou mais nos parênteses visíveis da razão, esta também negada às grades que ensombram os códigos emotivos entre um café e outro, transpassando bandeira e olheiras...
Tenho para ti as dúvidas, até que o tempo se arraste, somente para eu ficar ao teu lado... Arranjo besteiras formadas pelas tuas teorias e tudo que me choras acerca de família, trabalho e amor. Não percebes, mas a tua experiência te abre a mim. Arrasa comigo... Rasga minha intenção de ser sua amiga, mas, aberto futuro, chega a me dar medo do que eu te preciso: dizer “eu te amo”.
Fecho e abro a carteira de cigarros durante páginas inteiras... Se eu junto as peças e misturo-as resgatando nos gestos teus al…

A minha Helena...

É rosto? É jogo? O que te apaga? O que me apega? – Meu samba valsado – procura-se, busca-se, aos mil dias antes de te conhecer... Teu nome? Que clássico és tu? O que te comanda? Que verdade és tu? – Ou és mito? O nome da música? Tuas musas?
Tua legenda? Tua cultura? Tua moldura?
O velho sentido. Que sentes? O que te existe? Que realidade me és tu? E teu resto? E tuas sobras de sombras mensageiras?
Haja décadas e tua cara...
Haja conflito e tua cara...
Haja poetas e tua cara...
Quem?
Algum arauto me declame sua vontade! Não que me venha a integral bonança, a qual exaspero, mas aquela que sua despedida seja cômoda... Helena, a irmã andante dos olhos – imaginativos e circunstantes ao jeito apregoado do espírito. Nem mulher, nem natureza: amor. Sobre as ameaças do beijo, o rigor plácido, amêndoa santa da ceia, parece ser a garganta espessa dos gemidos salivados de Safo. Ah, Helena! – apelido machadiano que lhe concedo... Os paradigmas são verticais como as pernas. E tais normas de Helena…

Molde quadro

Molde Quadro (1992)

O ocaso anuncia,
            Em sua áurea crepuscular,
O moldurar do repouso

Enquanto tuas madeixas se movem
No arfar do meu colo,
É desejo da falange acompanhar
Os mesmos traços da tua guisa:

            A escreverem novas histórias...

A boca duvida entre teus olhos
            E tuas mãos

A breve passagem do inteiro
Sem início, tampouco volta;
Talvez seja este o lugar do céu –
No solo do sentir dos braços...

Semelhante entrelaçar dos dedos
Olhares do por que num corpo primeiro

Inexaurível relação
Entre o asfalto e as matérias,
Adormece e desperta na sua mesma face imóvel
O sol, a enchente, a noite e os passos...

São suas visitas...

Assim como o caminho entre tuas mãos e teus olhos
Ou no desconhecido maior em ti...

Parte das quatro estações,
Cerne que anseia o brando ninar do calor...
No continuar da boca? – a palavra, o sorriso...
Bramidos.
Inócua pintura de um quadro,
Permito o salivar das tintas...
Seguirás? – a tua resposta?

Pessoalmente a Clarice: um poema de conversa

Pessoalmente a Clarice: um poema de conversa...
(De Larissa Pujol, vencedora do Concurso Literário Felippe D'Oliveira, na categoria melhor autor)

Distorcidas páginas manuscritas
A bege maquiagem e os olhos turvos
Misturam-se o álcool perfume
O álcool remédio
O álcool transição

Nossas vestes femininas
Tua boca traçada e poema
Meu sentimento esquema
O espelho contrário das roupas íntimas

Pensar é teu ódio
Sei e te procuro porque sabes
As conquistas em contramão observamo-nos,
- O testemunho litígio dos nossos dissabores -
A face esculpida por antônimos
A feição entendida por sinônimos

Alento e olor são tuas palavras
Sussurradas e surradas de sentimentos...
O tripé contingente em ambas
Defeito perigoso destruído em nossa planta
Perpetuam-se os platônicos enredos
Nas figuras sépias dos nossos álbuns viris

Sem cerne, nosso dístico ainda planeja o furor feminil
Pela falta desta dureza em nosso regaço
Impossível encontrá-los, homens, na virtude do nosso pó

As tuas celeumas narrativas …

Palco servido

O tapa da porta, fraterno encosto de amigo a confraternizar o costume escuro do fim. Boas prosopopéias naturam na selva lúdicas de cores elétricas seus gemidos tempestuosos de embriaguez e afago. Entre mulheres, as caras camuflam pássaros às suas penas hostis e laborais. Dia nublado pede o sangue decantado e generoso em todos os corpos... Sangue correndo graça em partituras de riso, e sugerindo no imo a dança sublime, espremida no centro da alegria: a força num vai-vem duro e ritmado ao toque surdo e forte dos pés batidos como voos angelicais, mas virilmente, contra o chão... Vórtice racional que docemente meus olhos começam a flamar seu preceito de conquista. Ao encosto do torpor, a sequência de mulher comanda os ímpetos de música e da saúde embebida em gélidos agitos no esôfago.



Ao meu jeito eu vou fazer um samba sobre o infinito...
A ciência feminina, cedendo-se num intróito extremoso de orgia religiosa, descomplica as suas curvas entrelaçadas por tabu. Às vezes o verbo possui uma …

Isolada pudícia II

Convenço-me que nada mais influencia a pessoa como a elaboração moral. Sentimentos de sonhos a se concretizarem se despertada eu estiver! Abertos os olhos, tenho-a novamente me agradando com desejo e, portanto, com sofrimento. Desperta a sensação de lástima pelo término deste meu feliz e tranquilo olvido... Esperança de felicidade corpórea, alvoroço deste assunto, mescla de fragrância rosa... Sou ela vivida neste cataclismo que nos adeja.
Visto-me maquinalmente no mesmo lampejo selvagem que se descontrolava nos seus olhos ardentes e astutos vindos durante minha lembrança... Abotoada a camisa xadrez, deixando a mostra os volumes dos seios, descarada, alegre e solta de café-com-vinho, mascarada a Dolokhov, mas camuflada a Varenka! Ah, ela gosta de mim, e a aprecio desde sua voz soprana, no conjunto de olhar direto, flecha-negra atravessando meu intelecto, boca graciosa de sorriso pequeno e amontoado.
Paixão por ela, minha companheira de partitura: suas mãos finas, pianista, alongadas …

Isolada pudícia

Tão logo o entusiasmo salvou a aquarela. Reencontrada no estúdio de ensombradas palavras, a distância ao fundo daquele cerne correu vazia, então a fechadura procurou tranqüilidade... Seu rosto escondia-se de álbum em álbum para não enrubescer-se... Mas de tempo eu lhe conseguia um sorriso registrado de memória e sua fala melíflua logo organizava as atenções para seu fantástico Hoffmann com Offenbach.
Pedir-lhe-ia a amante cigana que me cantasse “Minha lareira...” e que seu piano estirasse as oitavas. Contudo, o lume do meu olhar abobalhado desconversou meu corpo com a argúcia dela imersa em Bernard Shaw! São bonitos os seus dedos, mas é sem rosto, como título de Teleshov, a sua concentração! – Que eu acabe com esta, se não me acabar antes. – Naquela hora, o espelho a nossa frente sobrevinha à culpa juíza da sensação de prazer... Agrada-lhe interromper e deixar de ser lamento!  Sortilégio de amiga conversando coincidências para melhor se divertir, proporcionando a sua terminada decla…

Crônica epistolar: do meu leito...

Ah, este leito! Quão frio é o tecido na sua plástica receptiva. Pouco tempo ali observada, me pontuei aos olhos concretos sombrios que me encobriam. Minha amor, minha linda! Paradoxalmente tenho a falta do teu ninho! Entretanto, querida, prefiro que te mantenhas alheia ao que me lastima e adoece. Nada mais cruel seria para e em mim que causar-te desconforto. (7:36 a.m)
Rhode, minha colega, tuas mensagens, teus olhos, nossas bocas, nosso ser. Sorte abençoada que aproveito na tua moradia deste meu lado esquerdo, por ora, paralisado e dormente. Ainda aqui trabalham a sistólica e a diastólica maneiras, correndo vida nas idas do tempo, mas nas vindas do teu conforto, minha amor. Posso estar incompleta de corpo, mas de nós duas... Mais aspiro o oxigênio como de ti trago na boca o sentido amado que me dispõe teu prazer. (11:35 a.m)
O mais puro dos prantos se derrama espalhando a linha desenhada do teu rosto. Oh, minha menina verbena, como soubeste do ocorrido? Eu pedi para que te preservass…

A hemorragia da civilização

As épocas não perturbam o sentido aguçado da dominação. Educados ferros, à sorte besta da cara, surpreendem camuflados por flores o corpo da pele curtida à primavera... A beleza suscita a crença vituperada da imagem. Aniquilada transcendência a qual dissimila nossos passos macios na expectativa.
Justificada conversa cuja regra à mescla de voz tudo dissipa frágil e superficial. A dificuldade do abraço – a fluidez do adeus –, o tudo que se planeja aumentando o quando até o derradeiro murmuro. Sem colheitas com os olhos enamorados, o sorriso é pretexto da carne no movimento coletivo... Executaram-se trechos de si entre a atmosfera e o entusiasmo. Verdade prolongada, seja de horrores que provam o sobressalto d’um formigueiro inepto enquanto faz-se pândega de fortaleza marchada.
O combate é a nostalgia do interesse. Projeto e amor são bases, com angústia, indefinidas, mas considerados da alma e da pura desordem sujeitada. A ortografia do estímulo imediatamente quer a coerência das linhas …

Das rodas nas horas contadas:

Don Yaosú Valladolid

Amealharam o sorriso das bocas pálidas
Figurou-se um olho de lança sobre o talho da face
A ruga profunda de um riso
O chacoalhar dos ossos corroídos

A sina do ritmo das notas
Uma só viola
Junto ao caminhar monótono do cansaço

Cantávamos em sol maior
Ao alvorecer da aurora
Alguns passos bailados em volta do solo
O grito do patriarca anuncia
                          O próximo cavalgar
            De Don Yaosú Valladolid

Rumo a Tarragona
Um passo rápido pela ilha maior
Perde-se no seu rastro a areia
        Dos calcares pedidos da mátria -

Cantai irmãos!
Na rédea do meu cavalo,
vossos sorrisos
Que muito me servirão de armas.
Para voltar a essa roda de bailas,
Na minha partida, adornai meus ouvidos com vossos refrões...

O pio de uma coruja rasante

Certamente, tu, predadora,
Na falta do teu já adulto filhote
Cantarás até ouvir um gemido de saudade
Eu também te ouvirei, minha mãe...
É de tua natureza saber minhas burlas no engendro da canção.
Não te preocupe…

Dos laços, meus braços...

É a pressa da carência, de uma pelúcia aquecida de mãos a tapas no meio da história que falece. De tamanho eu dispo minh’alma e afogo a calma salivando um beijo teu... Vamos sem chão, podendo a solidão ser duas. Eis que o amor planeja o cuidado que te tenho, mas a saúde não se dispõe ao tempo. O lucro, então, brilha cruzando mordaças, canta sua sorte, e cansa a morte na satisfação...
Ao que aspira, o comando negligente da utopia faz do sujeito a sua procura. Muito astuta, a resiliência atroante principiou o alheio. Deste, apenas a galhofa se comete na sua própria narrativa. No entanto, haveria de esbravejar a distância que de perto acena às escondidas? Ah, o oco do vazio: a lonjura das ausências... Tive amores que de ponte serviram para chegar a ti, meu bem... Mesmo assim eu choro o perdedor bradado por Tchaikovsky... O Mistério é a incerteza que nos leva ao futuro. Nós duas incertas, mas futuras?  “Que aconteça logo!” – digo a expressão que anuncia o poder esmagador da ansiedade! J…

Crônica epistolar: yesterday.

Nosso dia 12, teu dia seguinte...
Quero esta música, amada, para amanhã, mas ontem nascida contigo e entregue na festa escusa do sentimento. Também és a pessoana que tanto te entrego alcunhas disfarçadas... Ah, as turbulências deste dia comemorado, cujo apreço chora no seu final... Entretanto, já nos nomeiam, já nos unem – alheios começam a compreender e a vida nossa amanhece em paz, querida. O ontem, nossa crença, amadurece a cegueira deste nó feito de aço: ferrugens de vínculo então precavidas contra a separação humana.
Minha, são diversas as nossas gêmeas! Somos cantadas, lidas, conflitadas e acarinhadas num ninho sábio de reclusas namoradas, de reclusos lençóis. À margem das vestes, a cama inaugura um planeta apenas nosso: de constelações ruivas e morenas, de vales deleitosos em mãos e fontes amadas da interna redenção sobrevivente. Sem mais, querida, amar-te é um novo mundo com cabelos selvagens à primária comoção desnuda...
Nosso e teu dia bradados na sala fechada. Amor no vác…

Líquidas

Enquanto jaziam as roupas ao fim do suor, a água, o perfume e a morena chovem dentre os meus pelos na física obediente do amor. Aleatórios toques oprimidos das suas mãos que suspendem com todo crime as desleixadas ordens de ser minha. E eu, antes dela, fui das sobras nas quais escoa o cotidiano...
Macia e fragrante, o risco iminente da sua boca existe na transparente leveza que me despeja... Olor taciturno como derretido na vela. Querer tal qual a sua chama que tenta alcançar o infinito... Pertencida no que há de mim, a morte não é, então, pretexto. Minha querida acolhe outra vida e me a entrega em seu ninho! Sabe ser pele, sabor, perfume e destreza... Nua ao que ela me pede, desmancha-se, pois, na minha saboneteira com toda ninfa das águas que lhe acompanham. Belíssima fantasia que forte traçam-na os jatos: Baudelaire cortou-a em pedacinhos para cada todo agradar-se e divertir-se...
O medo sarou o corpo, o sabonete deslizou a ternura, a pétala de suas mãos escoou a mulher, a verdade…

Por quem meu gozo dedica o ar...

Então ela caminha ao meu encontro, de braços cruzados, como um sopro obscuro e sexual d’um saxofone... E eu a respiro de perfume em mulher nos meus solfejos bailados de cintura, quebrando lá e cá o serpenteio da nossa feminilidade. Ah, em minha boca ela bate staccatos mordiscados de língua, tira-me a boquilha, e me preenche, deveras, de ar e socos ternos cujas ondulações descem minhas mãos pelos seus finos e lisos cabelos.
Cintura fina e forte! Músculos! Somente o seu salto tocado decidido acompanhava este meu sopro. Ela desce do salto, sua única veste, revelando que o sentimento é o estado fértil da razão... Sustenta-se agarrada em meus seios, atrás de mim, apertando liberdade desde os pés pequeninos, no gélido solo, ao encosto suado da primazia de sua púbis macia e negra em meu quadril. – Diz para mim um "te odeio" bem rodrigueano... – Enlouqueci suas rugas. Antes, primitivo e espiral, o coração curvou-se de maduro quando meus dedos abriram seu corpo através do zíper at…

Figura exclamada

“[...] e cheias de ternura e graça foram para a praça”, nos entremeios dos filhos e filhas que planejavam criar com os olhos puros, dizendo uma ou outra simplicidade fácil e inumerável que ambas superam. “Amo-te” o beijo proposto naquele instante escuso do mundo, caminhado pelo corredor. Almejo com magnânima e expressa louca vontade de abraçá-la até derretê-la ao pó de sua maquiagem... Aquilo que o bicho aninhou apenas sai ao alçar voo e ganhar corrida... Cada vez a sequência tem nosso alfabeto. A mulher encoraja predestinada à liberdade; e, se tolhida, ama ao embaraço de sua abstração, quando olha para o paraíso simplesmente encontrado ao seu lado. Sabe-se que o doce aquece a boca, chove a língua, goza deglutido! Apaga-se por momento na parede, escorrendo a imperativa satisfação. Querer ao passo que visa o aproveitamento. Sem o molde, a respiração toma conta... E uma da outra... O sentido aparece mágico durante a confluência dos vestidos entre o vento...

O siso da profissão

- Sora, a senhora tem um abraço tão maternal...
Expectativa: agradecer a amável comparação.
Realidade: Não chores! Não chores!
O crescimento é o melhor conteúdo. Amada miudeza curiosa, por vezes taciturna de idade, que amanhece pássaros antes sonhados nascimento... A gestação enluarada acarinha a criança da mensagem. A fortuna próxima do amor que dispensa estereótipo – filho, filha – no bem-querer da sabedoria.
Acolho neste ninho a inefável plenitude do ser. Imenso pensamento a se completar pelo alcance de seus desafios corridos, saltitados, chorados. Entretanto, rebeldes de tagarelice e cabelos multicores... Jovem querida de carência, filha de destino efêmero: logo continuará sem mim, talvez pela vez distraída que sua adultice não me a fará reconhecer. Detalhes cujas rugas perecerão do carinho. Este ato sem segredo de sinceridade, incomensurável no breve espaço que abraça.
Remedia a labuta este reconhecimento. Nos vitrais empoeirados de vida, a tua semelhança caberá nos calcados detalh…

Harmônicas de minuto

Faz-te carinho a delícia expressa da surpresa, à súplica desvairada dos modos. Os saltos são verbos ansiosos, agora, como crianças, marcam passos na corrida para a cama. Além-mar, tu sabes, pequena, que nas ondas dos meus lençóis, (a)mar exige mais fôlego e mergulho total uma na outra... Ah, o fôlego. Quando nos une, falta. No entanto, ao consentir a ausência, tento ouvi-la nos pares do relógio.
Permito-me transcrever aqui o sentimento enquanto te escuto nas horas. Eu te amo, querida, de um modo inimaginável, quiçá doentio e amargo. O tempo tem, na sua palavra complexa, a desertora sensação de profunda alma que retesa os nervos de prazer no indubitável desejo de se expressar...
Então, dos arrabaldes surge a fantástica fumaça extasiada de desconhecido. O êxtase beatífico confunde a dor na rara beleza que verte preenchendo o misterioso caso. Seus fantasmas de vida distraída, mas romântica, existem no interesse que cinge a linha do querer. No horizonte, as árvores tranquilas do teu pens…

Extenso conforme...

Mesmo com as mãos frias ela escapa um dito saudoso de bem-querer. Não é, portanto, fantasia aquela passagem, a minha preferida, cujo semblante descrimina a suntuosidade de sua modelo.
Boca pequena do seu melhor sussurro. Aprendo logo a incrível habilidade na pele loquaz; e que de tão louca e vulgar, seu peito expande o significado de ela ser... Há por querê-la esta natureza morena, muito forte e perene até onde ela permite o fundamento do meu pranto. A palavra de sua enciclopédia comete antônimos de menina. Violenta com sua rosa o fraco sorriso que em mim adoece... Acaricia com verbos a vida que mente dizendo “sempre”. Somos o que pertencemos à angústia; no que respira a ida, uma ressalva.
Importante e contente o animal de si procura. Brada o mundo e solfeja a mulher – na cama em que a ouço e me despeço. O efeito, sua cor, seu braço num córrego-derme perfeito de luz acolhido ao fechar dos olhos. Cria, esta amada minha, o fato por suas rugas. Juíza camuflada por planos e panos que rasga…

A sua ventura

Seu ninho é um bocado grato que tenho. Ali haveria eu de derramar meu pesar, socorrer-me no conselho de seu coração, mas a alegria de permanecer tem o que fazer comigo. A roupa se desajusta envolvente ao seu amor... Eis que subo o pensamento intrincado e a sua atenta vigília carinhosa repousa em quem se diz... Eu, moça, gozo deste regalo de cor caramelo no qual tão doce intrometo meu suspiro.
Eu sou, em seu ninho, o mundo entre as infindas constelações. Minha estrela está em seu elemento. Logo, ela suave surge envaidecendo minha pele com suas asas expressivas de toque elevado... Os pelos eretos a reverenciam sobre a derme que surde, quiçá, para liberar um tremor inopinado e, da ponta do corpo, um gemido desafinando um sustenido de mulher...
Emaranhadas entre braços e pernas, ponho-me a deslizar uma madeixa pela sua curvada cintura marchando o deleite do melhor compasso que teria o hino de sua feminitude. A felicidade na conversa sobre objetivos inocentes movem as sinestesias e gracej…

Parede aberta

Num prego suspendeu a decoração de outra vida observada. Permitiu nesse meio do nada o ponto perfurante do limite dos olhos, a se manter nos cantos agudos e concluídos.
O branco longe. Longe esquadro que dos fracos se vê vulnerável; mais de posse a cada sobejo dado, embora a graça perdoe o infinito. Foi assim que sua veste bonita de escura transmitiu ficar ali: carregada de fardo na alforria dos montes! A casca versa mísera a concessão do pano. Outro pedaço adorna os parasitas que se camuflam no deslize belo à face do maior encanto.
De tudo, o passado emprega o seu vão momento. Espalha no outono do pensamento as manifestações senis de entusiasmo ou nuvem... Criou estimada observação quem se outorgou ser peça cativa deste pedaço. Haveria o dia, para o esmero do artista, de olhar-nos à passagem estática de si. O furo condiz à provocada batalha com louvor... O pó derramado esqueceu-se do espaço e se considerou liberto junto ao ar e aos polens soltos da figura.
Logo, as pestanas cedem à …

Pequenininhas

Protesto meu amor por ti
                     [na calada ilusão à toa
A saber que me console
O beijo que nossa amizade perdoa.

Tu és uma felicidade toda... toda...

Tens a melodia do nome
                    [e a harmonia do sorriso.
Completa és num todo desejo-mor...
Ao fim de tua letra,
A mulher tem a sorte de ser tu.


No risco suave dos vultos

Lembro-me, querida, quando entrelaçamos os dedos pela primeira vez... Aquecíamos na macia caixinha formada por nossas palmas as últimas consequências da subliminar confissão. Do nadir da dor, emergiu a delicada lava rumo ao zênite de um corpo-mor amoroso. Miragem entre nossos olhos, querida, para a qual as pernas paralisam hibernadas na serenidade da nossa rendição...
Querida, que maremotora de pele! Água-viva ardente do meu segredo. Os assuntos de amigo cingem códigos na palpável linguagem alugada da luz. Isolamo-nos duas no meio da cinza redoma torpe dos outros. Somos, no entanto, o cerne absolvido: amamo-nos! Deixemos as pessoas irem, pois nos usam as palavras por todo fluxo das línguas que dispomos. Tão doce, minha querida. Doce ainda maior e triste na despedida. Meu amanhã que te encontra me impede de desistir – declaro-te – enquanto minha casa ali vazia preenche em mim o outro silêncio do torpor.
Tétrico fingimento a cair da pele, derretido, por todo caminho das estrofes a comb…

Ela votiva: vaga, deliciosa, estranha

Que extasiada manhã, colorida do nosso ser único a sorrir o eufemismo dos minutos. Estes se esvaiam entre uma clarividência e um retrospecto que insistíamos haver coincidências de nós... duas.
Aproximar-me de ti, querida, é alar o perfume das emoções. Extrato exalado das mulheres compostas de sangue da flor – que palpita nos vãos límpidos e satisfeitos do sentimento, buscando a alienada expansão do próprio corpo, mais para uma e outra libertar! Espiritual desprendimento do tempo e deste local que nos embriaga com o dever cumprido, somos duas plantas amigas de amor interpretado nas sensações secretas.
Ah, querida liquefeita! Teria eu em ti o meu cálice no leito! Meu desespero de vida, que calada por ti, vagueia só em teu tenro ninho de humana, ama teus assuntos e desabafos pessoais, e sem querer percebe que se ausentara no desejo desta que te confessa, deixando parte da atenção em algumas páginas atrás. É a vontade cínica de cobrir as estrelas de tua ampla boca com a minha. Nunca mais…

Feminino plural

Ao encontrar mais um entardecer na sua presença, a minha música dela: "e quando escuto o som alegre do teu riso que me dá tanta alegria, me deixas louca"
Como o rolar reto dos pedregulhos, tudo se acomodará no solo qualquer. Imo onde se pisa retraindo calafrios de raiz a dimensionar capítulos férteis sob a sombra carregada. O alimento deixou a planta para idolatrar a morte... Alguns pássaros se tornaram simples cores acompanhadas de distância; e nesta singular paciência, a solidão colhe os livros e discos da abandonada casa no campo. A Dona Elis cuidara alegre dela...
Desafio protegido em seus braços, local de cela! Anéis de brandura no olor do seu sol vêm ao encontro do mundo. Risco a vertente do feminino voraz, capaz de debilitar-se. Hábil linguagem do horizonte, da terra espreguiçada em gestos sinuosos do corpo... dela!
O que é vida se espreguiça nela! A água ondulante, a voz que vibra... Há boca fresca nesta em que me cativo! Coisas e criatura, espaço silvestre do livr…