sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A cintura do caminho

Especialista em criar nuvens... em despejar-se chuvas de cores quando alma expirada... Imagem: Larissa Pujol.

Existe uma enorme imaginação no andar do ébrio. São trocas de violinos nos saltimbancos do piano, acalentando aleatoriamente os seus encontros. Qualquer ponto de partida se torna um espaço adicionado de adeus. A História, destoada da utopia, se cativa nas telas de Bosch... Deixa-se bela com as filhas de Lot. Embriaga-se melhor que o pai... Camuflado nos cálculos, a normalidade estende seus desvios escusos. Quem cala os faz na descida e na subida com suas curvas ao meio do corpo.
Os termos completos são desculpas para a ingenuidade. As letras, aleatórias, constituem o caminho das torturas e das lânguidas torcidas equilibradas numa consciência sistêmica. Os sintomas se acumulam na invisibilidade do homem: sua voz toma as mãos. Ela apenas imbui o silêncio da boca para fora; e lá o mundo é deserto para um.
Tremidas cardioutópicas e quietas pela musa-rua que aceita a criação do reconhecimento. A lente focaliza e se retrai dançando a imagem. Razoável condição para enxergar a mobilidade transformadora dos sangues. Agradeceu, então, as formas distorcidas antes da guerra – em época –, pois não interpretaria a partir dali os boletins do acaso. A intuição pesquisa pessoas e as torna incertas. A realidade, ingênua, acredita no que vê. A verdade, perspicaz, no que sente.