sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O aposto de "meu bem"


Um ser profundamente e visceralmente antipático. Dizem que nem ele gosta de si. Mesmo assim, por incrível que possa parecer, ele tem adeptos. Muitos adeptos. Quem o sente, o sente como poucos. Dentro da sua antipatia, da sua arrogância, da sua intolerância, da sua vaidade está o seu carisma. Queira ou não, ele é uma força popular. Tem perfume de estreia e alma de velho. Possui uma grande solidão dentro de cada atitude. Ele é profundamente antipático, mas tem coragem, tem garra, tem sangue. E esse sangue, ele aposta que é transparente.
Quem é ele? Qual o seu deus e o seu diabo? É o que descobrimos aqui na escolha mais importante: sermos aceitos pelo que somos ou aceitar os outros pelo que são. Qualquer lado da porta também é casa. Que se viva, então, a verdade. Viva o que se sente, pois ele desconstrói o Belo. Ele raciocina a eternidade de sua palavra num pedaço finito. Exacerba a qualidade oculta lisonjeando a virtude... Indecomponível, ele tem de si uma beleza nos costumes. É triunfante, mas sublime quando luta! Até a morte por ele é habitualmente clássica, intelectual, noticiada e digna dos melhores arranjos nos palcos... É a serpente que evoca ideias baixas, mas também a unidade na variedade...
Ele é a diferença especial num ligeiro julgamento. De dias ruins, dias raros, dias bons e rotina, nem a convivência ensina a maneira de possuí-lo.