sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Beethoven e os dentes dela

Na roda da conversa...

A palavra beijo ela desvia para mim. Levantou-se, então, a sua patética moral de bruxa, cuja verdade, na sua cara de sexo, digeriu os sapientes acordes da voz. Julgada em rosto, a dita boca daquele concerto minha língua abusaria. Abusaria amolecida de cada rigidez branca que a abrilhanta, de cada frigidez sua de matrimônio.
Existe lentidão de discreta rijeza ao salivá-los. Glissado final que nos dentes dela a deriva se torna prova de lividez... Encontrou claro o criativo suspiro ameaçando rasgar-se. A carência cativa os olhos no ondular do vestido meu... Um rondó à tarde da estrela, ainda que tão pícara, trata-a de senhora. Lei amante da força suavizando e beijando mulheres: onde permite o cheiro caber nas bocas!
Alegre resumo do sexo naquele jeito facilitado, oculto e feminino. Pinçados os lábios dela, assumo o ciúme naquela cor de liberdade do outro, da outra! As artérias vivas insistem na regência de cada partícula branca, herança animada da eroica; e a sonata dela comigo convence nosso quarto ao poema de Schiller... Sua natureza, sua anja – a amiga vigorosa na santidade dos seus beijos de linda.
Revivi meus lábios de sua entrega naquela pequena cama de senhora... “Muitos beijos” falados na cara com a coragem da ponta do seu scarpin e a consequência do salto agulha subindo as minhas pernas – discretamente e femininamente abertas. Talento prodígio comparado à submissão! Repertório de generoso exílio – pungente receio – mas que em seus seios desespero minha existência, acompanhando seu ritmo de vida em mim...