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Ela votiva: vaga, deliciosa, estranha

Que extasiada manhã, colorida do nosso ser único a sorrir o eufemismo dos minutos. Estes se esvaiam entre uma clarividência e um retrospecto que insistíamos haver coincidências de nós... duas.
Aproximar-me de ti, querida, é alar o perfume das emoções. Extrato exalado das mulheres compostas de sangue da flor – que palpita nos vãos límpidos e satisfeitos do sentimento, buscando a alienada expansão do próprio corpo, mais para uma e outra libertar! Espiritual desprendimento do tempo e deste local que nos embriaga com o dever cumprido, somos duas plantas amigas de amor interpretado nas sensações secretas.
Ah, querida liquefeita! Teria eu em ti o meu cálice no leito! Meu desespero de vida, que calada por ti, vagueia só em teu tenro ninho de humana, ama teus assuntos e desabafos pessoais, e sem querer percebe que se ausentara no desejo desta que te confessa, deixando parte da atenção em algumas páginas atrás. É a vontade cínica de cobrir as estrelas de tua ampla boca com a minha. Nunca mais sorririas a outrem! A mim, terias tão somente espasmos de sobrevivida entrada e saída de ar, sorrindo as estrelas, e voltarias para a introspecção aprazível deste meu sonho que muito te quer e todo o dia te pede em matrimônio – matri, mater, mulheres!... No entanto, o silêncio mediador conclui que tua felicidade possui a essência venenosa dos costumes, embora em mim habite a aurora do amor que me figuras nessa tua face linda! Linda face! Jardim onde as flores nascem lascivas pelas mulheres. Continuamos assim... Nua tu, minha essência terrena.   

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
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M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…