sexta-feira, 13 de março de 2015

Falcoa


"No deslize da brisa há um carinho de pluma pela minha epiderme a roçar, quando em quando..." (Gilka Machado)
Cruzando inverso, não desaparecendo o abraço ou a minha possessão. Num bar de Nelson, as palavras rodrigueanas significaram a cubista manifestação de adultério. Há pouco, aquele cotidiano cantado pelo Seu Chico sobrou neste vidro vulgar, nas dependências do intangível.
Sabotar, colocar sabor na violência do teu gosto. A música sublinha o conselho árido da dor, em qualquer solo ritornelo sem casa. A madeira conversa, o metal aperta. Chaves que encerram e livram a maior destemida do suspiro. Prescreveu a angústia resistente, menina... mas nos teus sonhos a cintura nua da outra curva projeta animada a saudade do teu oco vão ansioso: a vaidade afanada que ela pensa em mim... Nome, teu nome rosado. Algum extremismo de atenção que a desperte no que me olha.
E o solilóquio respondão ameaça iniciativa. Vestido não lavado porque nele ainda peregrina – em seu colo, em suas costuras decotadas e cinturadas, em sua barra divisória do tesão e do tecido – o indelével perfume da ser que abracei. Nossos cavalos, então, sem chance de desgarrar as patas para um gesto anárquico de sobrevivência: cansados de carregar sobrevivência! Mais um beijo, meu alimento de flor. O Éden é profundo e sem conversa.