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A sua ventura

Seu ninho é um bocado grato que tenho. Ali haveria eu de derramar meu pesar, socorrer-me no conselho de seu coração, mas a alegria de permanecer tem o que fazer comigo. A roupa se desajusta envolvente ao seu amor... Eis que subo o pensamento intrincado e a sua atenta vigília carinhosa repousa em quem se diz... Eu, moça, gozo deste regalo de cor caramelo no qual tão doce intrometo meu suspiro.
Eu sou, em seu ninho, o mundo entre as infindas constelações. Minha estrela está em seu elemento. Logo, ela suave surge envaidecendo minha pele com suas asas expressivas de toque elevado... Os pelos eretos a reverenciam sobre a derme que surde, quiçá, para liberar um tremor inopinado e, da ponta do corpo, um gemido desafinando um sustenido de mulher...
Emaranhadas entre braços e pernas, ponho-me a deslizar uma madeixa pela sua curvada cintura marchando o deleite do melhor compasso que teria o hino de sua feminitude. A felicidade na conversa sobre objetivos inocentes movem as sinestesias e gracejos apreciáveis. De tão ataviada namorada, as finezas se dirigem às plantas dos pés e se soltam pelos olhos. O ninho, aliás, a sua ilha preenche desalentos vencidos pelo encanto e pela gentileza, borbulhando prazer no arfar que sobrepuja sua geniosa habilidade de não cuidar do futuro. 

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