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O siso da profissão

- Sora, a senhora tem um abraço tão maternal...
Expectativa: agradecer a amável comparação.
Realidade: Não chores! Não chores!

O crescimento é o melhor conteúdo. Amada miudeza curiosa, por vezes taciturna de idade, que amanhece pássaros antes sonhados nascimento... A gestação enluarada acarinha a criança da mensagem. A fortuna próxima do amor que dispensa estereótipo – filho, filha – no bem-querer da sabedoria.
Acolho neste ninho a inefável plenitude do ser. Imenso pensamento a se completar pelo alcance de seus desafios corridos, saltitados, chorados. Entretanto, rebeldes de tagarelice e cabelos multicores... Jovem querida de carência, filha de destino efêmero: logo continuará sem mim, talvez pela vez distraída que sua adultice não me a fará reconhecer. Detalhes cujas rugas perecerão do carinho. Este ato sem segredo de sinceridade, incomensurável no breve espaço que abraça.
Remedia a labuta este reconhecimento. Nos vitrais empoeirados de vida, a tua semelhança caberá nos calcados detalhes... Soube-me o afago dizer que a sensata presença se filia ao sonho caridoso. Quão amplo e permanente este ser! O santuário assinou a justa manifestação arquejada de alegria. No mais intuitivo dos encantos, a crença materna...  

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
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