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Por quem meu gozo dedica o ar...

Round midnight... Foto: Larissa Pujol

Então ela caminha ao meu encontro, de braços cruzados, como um sopro obscuro e sexual d’um saxofone... E eu a respiro de perfume em mulher nos meus solfejos bailados de cintura, quebrando lá e cá o serpenteio da nossa feminilidade. Ah, em minha boca ela bate staccatos mordiscados de língua, tira-me a boquilha, e me preenche, deveras, de ar e socos ternos cujas ondulações descem minhas mãos pelos seus finos e lisos cabelos.
Cintura fina e forte! Músculos! Somente o seu salto tocado decidido acompanhava este meu sopro. Ela desce do salto, sua única veste, revelando que o sentimento é o estado fértil da razão... Sustenta-se agarrada em meus seios, atrás de mim, apertando liberdade desde os pés pequeninos, no gélido solo, ao encosto suado da primazia de sua púbis macia e negra em meu quadril. – Diz para mim um "te odeio" bem rodrigueano... – Enlouqueci suas rugas. Antes, primitivo e espiral, o coração curvou-se de maduro quando meus dedos abriram seu corpo através do zíper atrás do vestido... Ela não treme, então. Fixa-se na minha síndrome arrepiada de estar bem. – Minha garotinha... – Derrete assim sua era uma vez, virgem..., eu.
Então ela comanda a sua saxofonista deslizando nudez por todas as chaves que pressiono. Não erro. Sopro e inspiro seus gemidos de voz madura e ligeiramente metalizada... Mulher de sombra aguda, de tons labiais e agrado todo meu: toda minha. Toda minha na sua vaga satisfação. Árdua travessa de seus finos dedos, outra vez, a sugar meus intervalos... Aberto o ar acalentado, minha boca despeja nos ouvidos dela gotas de seu convencimento, o mais significado possível, como o veludo ameaçador de brilho e cor.
- Amo-te...
- Amo-te...
- Amor eterno!
- Amor eterno!
Natural, a cama é o melhor casto prostíbulo...


 play!

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