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Mostrando postagens de Junho, 2015

Das rodas nas horas contadas:

Don Yaosú Valladolid

Amealharam o sorriso das bocas pálidas
Figurou-se um olho de lança sobre o talho da face
A ruga profunda de um riso
O chacoalhar dos ossos corroídos

A sina do ritmo das notas
Uma só viola
Junto ao caminhar monótono do cansaço

Cantávamos em sol maior
Ao alvorecer da aurora
Alguns passos bailados em volta do solo
O grito do patriarca anuncia
                          O próximo cavalgar
            De Don Yaosú Valladolid

Rumo a Tarragona
Um passo rápido pela ilha maior
Perde-se no seu rastro a areia
        Dos calcares pedidos da mátria -

Cantai irmãos!
Na rédea do meu cavalo,
vossos sorrisos
Que muito me servirão de armas.
Para voltar a essa roda de bailas,
Na minha partida, adornai meus ouvidos com vossos refrões...

O pio de uma coruja rasante

Certamente, tu, predadora,
Na falta do teu já adulto filhote
Cantarás até ouvir um gemido de saudade
Eu também te ouvirei, minha mãe...
É de tua natureza saber minhas burlas no engendro da canção.
Não te preocupe…

Dos laços, meus braços...

É a pressa da carência, de uma pelúcia aquecida de mãos a tapas no meio da história que falece. De tamanho eu dispo minh’alma e afogo a calma salivando um beijo teu... Vamos sem chão, podendo a solidão ser duas. Eis que o amor planeja o cuidado que te tenho, mas a saúde não se dispõe ao tempo. O lucro, então, brilha cruzando mordaças, canta sua sorte, e cansa a morte na satisfação...
Ao que aspira, o comando negligente da utopia faz do sujeito a sua procura. Muito astuta, a resiliência atroante principiou o alheio. Deste, apenas a galhofa se comete na sua própria narrativa. No entanto, haveria de esbravejar a distância que de perto acena às escondidas? Ah, o oco do vazio: a lonjura das ausências... Tive amores que de ponte serviram para chegar a ti, meu bem... Mesmo assim eu choro o perdedor bradado por Tchaikovsky... O Mistério é a incerteza que nos leva ao futuro. Nós duas incertas, mas futuras?  “Que aconteça logo!” – digo a expressão que anuncia o poder esmagador da ansiedade! J…

Crônica epistolar: yesterday.

Nosso dia 12, teu dia seguinte...
Quero esta música, amada, para amanhã, mas ontem nascida contigo e entregue na festa escusa do sentimento. Também és a pessoana que tanto te entrego alcunhas disfarçadas... Ah, as turbulências deste dia comemorado, cujo apreço chora no seu final... Entretanto, já nos nomeiam, já nos unem – alheios começam a compreender e a vida nossa amanhece em paz, querida. O ontem, nossa crença, amadurece a cegueira deste nó feito de aço: ferrugens de vínculo então precavidas contra a separação humana.
Minha, são diversas as nossas gêmeas! Somos cantadas, lidas, conflitadas e acarinhadas num ninho sábio de reclusas namoradas, de reclusos lençóis. À margem das vestes, a cama inaugura um planeta apenas nosso: de constelações ruivas e morenas, de vales deleitosos em mãos e fontes amadas da interna redenção sobrevivente. Sem mais, querida, amar-te é um novo mundo com cabelos selvagens à primária comoção desnuda...
Nosso e teu dia bradados na sala fechada. Amor no vác…

Líquidas

Enquanto jaziam as roupas ao fim do suor, a água, o perfume e a morena chovem dentre os meus pelos na física obediente do amor. Aleatórios toques oprimidos das suas mãos que suspendem com todo crime as desleixadas ordens de ser minha. E eu, antes dela, fui das sobras nas quais escoa o cotidiano...
Macia e fragrante, o risco iminente da sua boca existe na transparente leveza que me despeja... Olor taciturno como derretido na vela. Querer tal qual a sua chama que tenta alcançar o infinito... Pertencida no que há de mim, a morte não é, então, pretexto. Minha querida acolhe outra vida e me a entrega em seu ninho! Sabe ser pele, sabor, perfume e destreza... Nua ao que ela me pede, desmancha-se, pois, na minha saboneteira com toda ninfa das águas que lhe acompanham. Belíssima fantasia que forte traçam-na os jatos: Baudelaire cortou-a em pedacinhos para cada todo agradar-se e divertir-se...
O medo sarou o corpo, o sabonete deslizou a ternura, a pétala de suas mãos escoou a mulher, a verdade…