sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crônica epistolar: yesterday.



Nosso dia 12, teu dia seguinte...
Quero esta música, amada, para amanhã, mas ontem nascida contigo e entregue na festa escusa do sentimento. Também és a pessoana que tanto te entrego alcunhas disfarçadas... Ah, as turbulências deste dia comemorado, cujo apreço chora no seu final... Entretanto, já nos nomeiam, já nos unem – alheios começam a compreender e a vida nossa amanhece em paz, querida. O ontem, nossa crença, amadurece a cegueira deste nó feito de aço: ferrugens de vínculo então precavidas contra a separação humana.
Minha, são diversas as nossas gêmeas! Somos cantadas, lidas, conflitadas e acarinhadas num ninho sábio de reclusas namoradas, de reclusos lençóis. À margem das vestes, a cama inaugura um planeta apenas nosso: de constelações ruivas e morenas, de vales deleitosos em mãos e fontes amadas da interna redenção sobrevivente. Sem mais, querida, amar-te é um novo mundo com cabelos selvagens à primária comoção desnuda...
Muito anseio dela o dia de ontem... Eu a amo de ontem ao primitivo destino traçado... Foto: Larissa Pujol
Nosso e teu dia bradados na sala fechada. Amor no vácuo desprendido de condenação... As alianças nos nossos dedos polegares não tardam, querida. São sóis que se encontram e devoram a terra caída da realidade. Existe qualquer amanhã para nós duas, linda! Somos plenas de estamos aqui! Uma casal de amor que “abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo” – com o nosso próprio tempo pensado em nosso planeta... – ajuda-me, querida, a entender do que as fases se harmonizam numa única lua de nós – mas que não nos amanhece juntas..., embora, graças a D’us, eu te viva, amor de colega, amor de pessoa, amor de namorada, todo o dia! Cheguei. Chegaste. Na escola tu me pegas pela mão e deixas o amor também chegar... Seja entre os lados ocultos das paredes, na evasão do mundo que, então, solitárias preenchemos de ansiedade, de entrelaces, de vontade, de cura! De várias maneiras até o sinal no fim da tarde, junto à predileção que me dizes, mesmo sobrecarregada de profissão: fica mais um pouquinho...   
O dia se despede, mas despistaste a mesa com teus filhos e tua máscara conjugal. Eis que a vampira de tuas virilhas te ama de forma dilacerante e impetuosa!
Feliz dia nosso, minha amor!
Teu aniversário de legenda