sexta-feira, 17 de julho de 2015

Isolada pudícia

Hoje eu amargo contigo a saudade que ela deixou...
 Tão logo o entusiasmo salvou a aquarela. Reencontrada no estúdio de ensombradas palavras, a distância ao fundo daquele cerne correu vazia, então a fechadura procurou tranqüilidade... Seu rosto escondia-se de álbum em álbum para não enrubescer-se... Mas de tempo eu lhe conseguia um sorriso registrado de memória e sua fala melíflua logo organizava as atenções para seu fantástico Hoffmann com Offenbach.
Pedir-lhe-ia a amante cigana que me cantasse “Minha lareira...” e que seu piano estirasse as oitavas. Contudo, o lume do meu olhar abobalhado desconversou meu corpo com a argúcia dela imersa em Bernard Shaw! São bonitos os seus dedos, mas é sem rosto, como título de Teleshov, a sua concentração! – Que eu acabe com esta, se não me acabar antes. – Naquela hora, o espelho a nossa frente sobrevinha à culpa juíza da sensação de prazer... Agrada-lhe interromper e deixar de ser lamento!  Sortilégio de amiga conversando coincidências para melhor se divertir, proporcionando a sua terminada declaração, como figurada em Tchapaev.
A tola última vez que a minha resposta a viu foi num doce entristecer de um blues que ela tocou... Uma atmosfera instagnante atormentou minha íntima cara fiel quando ela desistira: “Gosto-te, mas como gostar de ti, Lari, uma mulher que gosta de outra?” Representaram-me, naquele momento, as insatisfações de Ivanov e Treplev. Inútil ser da existência ideal, com a fidelidade que lhe faz sombra. Galhofa sentimento em indiferença e postura. A felicidade depois não teria nada de triste... Mas tornei à minha atração de análise moral nos anseios tolstonianos de Nikolenka Irtenev...