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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Crônica epistolar: eu, tu, nós duas já temos uma ilusão...

Quer ser... Amada? Mas amada pra valer? Planejamos do labor ao confessionário: ensinamentos ativos de conteúdos projetados rapidamente para o fim, para enfim o resto ter de nós duas o desleixo do segredo... Reter na concupiscência do assunto louco, em meio à pedagógica renovação, aquele beijo reticente dado por certo. Tudo ou mais nos parênteses visíveis da razão, esta também negada às grades que ensombram os códigos emotivos entre um café e outro, transpassando bandeira e olheiras...
Tenho para ti as dúvidas, até que o tempo se arraste, somente para eu ficar ao teu lado... Arranjo besteiras formadas pelas tuas teorias e tudo que me choras acerca de família, trabalho e amor. Não percebes, mas a tua experiência te abre a mim. Arrasa comigo... Rasga minha intenção de ser sua amiga, mas, aberto futuro, chega a me dar medo do que eu te preciso: dizer “eu te amo”.
Fecho e abro a carteira de cigarros durante páginas inteiras... Se eu junto as peças e misturo-as resgatando nos gestos teus al…

A minha Helena...

É rosto? É jogo? O que te apaga? O que me apega? – Meu samba valsado – procura-se, busca-se, aos mil dias antes de te conhecer... Teu nome? Que clássico és tu? O que te comanda? Que verdade és tu? – Ou és mito? O nome da música? Tuas musas?
Tua legenda? Tua cultura? Tua moldura?
O velho sentido. Que sentes? O que te existe? Que realidade me és tu? E teu resto? E tuas sobras de sombras mensageiras?
Haja décadas e tua cara...
Haja conflito e tua cara...
Haja poetas e tua cara...
Quem?
Algum arauto me declame sua vontade! Não que me venha a integral bonança, a qual exaspero, mas aquela que sua despedida seja cômoda... Helena, a irmã andante dos olhos – imaginativos e circunstantes ao jeito apregoado do espírito. Nem mulher, nem natureza: amor. Sobre as ameaças do beijo, o rigor plácido, amêndoa santa da ceia, parece ser a garganta espessa dos gemidos salivados de Safo. Ah, Helena! – apelido machadiano que lhe concedo... Os paradigmas são verticais como as pernas. E tais normas de Helena…

Molde quadro

Molde Quadro (1992)

O ocaso anuncia,
            Em sua áurea crepuscular,
O moldurar do repouso

Enquanto tuas madeixas se movem
No arfar do meu colo,
É desejo da falange acompanhar
Os mesmos traços da tua guisa:

            A escreverem novas histórias...

A boca duvida entre teus olhos
            E tuas mãos

A breve passagem do inteiro
Sem início, tampouco volta;
Talvez seja este o lugar do céu –
No solo do sentir dos braços...

Semelhante entrelaçar dos dedos
Olhares do por que num corpo primeiro

Inexaurível relação
Entre o asfalto e as matérias,
Adormece e desperta na sua mesma face imóvel
O sol, a enchente, a noite e os passos...

São suas visitas...

Assim como o caminho entre tuas mãos e teus olhos
Ou no desconhecido maior em ti...

Parte das quatro estações,
Cerne que anseia o brando ninar do calor...
No continuar da boca? – a palavra, o sorriso...
Bramidos.
Inócua pintura de um quadro,
Permito o salivar das tintas...
Seguirás? – a tua resposta?

Pessoalmente a Clarice: um poema de conversa

Pessoalmente a Clarice: um poema de conversa...
(De Larissa Pujol, vencedora do Concurso Literário Felippe D'Oliveira, na categoria melhor autor)

Distorcidas páginas manuscritas
A bege maquiagem e os olhos turvos
Misturam-se o álcool perfume
O álcool remédio
O álcool transição

Nossas vestes femininas
Tua boca traçada e poema
Meu sentimento esquema
O espelho contrário das roupas íntimas

Pensar é teu ódio
Sei e te procuro porque sabes
As conquistas em contramão observamo-nos,
- O testemunho litígio dos nossos dissabores -
A face esculpida por antônimos
A feição entendida por sinônimos

Alento e olor são tuas palavras
Sussurradas e surradas de sentimentos...
O tripé contingente em ambas
Defeito perigoso destruído em nossa planta
Perpetuam-se os platônicos enredos
Nas figuras sépias dos nossos álbuns viris

Sem cerne, nosso dístico ainda planeja o furor feminil
Pela falta desta dureza em nosso regaço
Impossível encontrá-los, homens, na virtude do nosso pó

As tuas celeumas narrativas …