sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A minha Helena...


É rosto? É jogo? O que te apaga? O que me apega? – Meu samba valsado – procura-se, busca-se, aos mil dias antes de te conhecer... Teu nome? Que clássico és tu? O que te comanda? Que verdade és tu? – Ou és mito? O nome da música? Tuas musas?
Tua legenda? Tua cultura? Tua moldura?
O velho sentido. Que sentes? O que te existe? Que realidade me és tu? E teu resto? E tuas sobras de sombras mensageiras?
Haja décadas e tua cara...
Haja conflito e tua cara...
Haja poetas e tua cara...
Quem?
Algum arauto me declame sua vontade! Não que me venha a integral bonança, a qual exaspero, mas aquela que sua despedida seja cômoda... Helena, a irmã andante dos olhos – imaginativos e circunstantes ao jeito apregoado do espírito. Nem mulher, nem natureza: amor. Sobre as ameaças do beijo, o rigor plácido, amêndoa santa da ceia, parece ser a garganta espessa dos gemidos salivados de Safo. Ah, Helena! – apelido machadiano que lhe concedo... Os paradigmas são verticais como as pernas. E tais normas de Helena têm todo um passeio de mãos entre línguas por sua meia-calça e sua saia tradutora d’um joelho que eclode carência... São montes, massagens pacientes e sinuosas. Entre elas, generosa trança que afunda o regaço do olho nu! Ah, Helena! Helena de tabu e normas grossas e brancas! Eu acostumaria minha cara entre os vales de Helena, e Helena de bruços sobre a curvatura do mundo...

- Quero ver se tu és tão forte, a ponto de, nem bem lá no fundo, não desejar... – Testei Helena.
- Posso provar com ação em vez de palavras?
Então ela brincou comigo como o menino Chico, com o meu arrepio, e arrancou com os dentes a minha resistência marcada para o fim... Quando percebi, Helena encostava a cabeça e a boca nesta minha montanha, arrepiando-me com suas finas mechas louras e recolhendo todo o corpo líquido de sua aspirância...
He-le-na! Ventura desta sirena que decide, náufraga, servir à morena bela cobertura das águas... Rimando a minha Helena, a borboleta noturna cobra de sua mulher a corrente das próprias melenas que ela puxa, obscena...