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Crônica epistolar: eu, tu, nós duas já temos uma ilusão...

Quer ser... Amada? Mas amada pra valer?
Planejamos do labor ao confessionário: ensinamentos ativos de conteúdos projetados rapidamente para o fim, para enfim o resto ter de nós duas o desleixo do segredo... Reter na concupiscência do assunto louco, em meio à pedagógica renovação, aquele beijo reticente dado por certo. Tudo ou mais nos parênteses visíveis da razão, esta também negada às grades que ensombram os códigos emotivos entre um café e outro, transpassando bandeira e olheiras...
Tenho para ti as dúvidas, até que o tempo se arraste, somente para eu ficar ao teu lado... Arranjo besteiras formadas pelas tuas teorias e tudo que me choras acerca de família, trabalho e amor. Não percebes, mas a tua experiência te abre a mim. Arrasa comigo... Rasga minha intenção de ser sua amiga, mas, aberto futuro, chega a me dar medo do que eu te preciso: dizer “eu te amo”.
Fecho e abro a carteira de cigarros durante páginas inteiras... Se eu junto as peças e misturo-as resgatando nos gestos teus alguma sinestesia gostosa de estar a duas, n’outra parte pode se situar o engano – e jamais quereria eu provocar-te dano! – mas, perco a destreza, viro após a despedida apenas para te acompanhar com os meus cuidados... Ah, e tão lindos passos fazem-se caminho, que minha verdadeira casa é levada no teu mais profundo regaço! Logo, o abandono se apraz na irascível conduta da espera, lá num cantinho... Eu te observando: coisa de menina.
L.P.

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