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Molde quadro

Molde Quadro (1992)

Se fosses areia, eu, o (a)mar, te levaria... (Foto: Larissa Pujol)

O ocaso anuncia,
            Em sua áurea crepuscular,
O moldurar do repouso

Enquanto tuas madeixas se movem
No arfar do meu colo,
É desejo da falange acompanhar
Os mesmos traços da tua guisa:
           
            A escreverem novas histórias...

A boca duvida entre teus olhos
            E tuas mãos

A breve passagem do inteiro
Sem início, tampouco volta;
Talvez seja este o lugar do céu –
No solo do sentir dos braços...

Semelhante entrelaçar dos dedos
Olhares do por que num corpo primeiro

Inexaurível relação
Entre o asfalto e as matérias,
Adormece e desperta na sua mesma face imóvel
O sol, a enchente, a noite e os passos...

São suas visitas...

Assim como o caminho entre tuas mãos e teus olhos
Ou no desconhecido maior em ti...

Parte das quatro estações,
Cerne que anseia o brando ninar do calor...
No continuar da boca? – a palavra, o sorriso...
Bramidos.
Inócua pintura de um quadro,
Permito o salivar das tintas...
Seguirás? – a tua resposta?

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