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Mostrando postagens de Setembro, 2015

O rastro e o caramujo

Sem mais inflamam-se os maus juízos proferidos pela pausa dos que esperam. As pernas correm a pé apenas o sangue circundante, cavado nas veias da sistólica ansiedade de qualquer maldizer...
As coxas apoiam o projeto, descansam o labor. Somente a inspiração, ao alto sonhado, voltou-se para ali e despencou desfazendo o nome nos fiapos do cansaço. Os dias provocaram! – é a desculpa do desleixo emocional que os deixou de lado – para trás. No entanto, a cinza do asfalto e das calçadas recebeu os passos voados sem adequação do tempo na vontade de si mesmo, enquanto a lesma antecipou sua lenta precisão e grifou sua passagem de um sinuoso caminho a outro.
Ninguém viu sua pressa voraz. A avaliação se fez seca e paupérrima na deficiência de sua própria marca. Não fez para melhorar, restaram-lhe as informações abandonadas pela saliva. O mais trabalhoso também tortura a gente pela morosidade... E o suor dá polimento à coroa que premia o sonho.
Ser a percentagem que convém a firmada permanência de …

Tão inesperada quanto intensa...

 Esta noite tive um sonho
Um sonho muito atrevido...
Apalpei na minha cama
A forma do teu vestido
(Mário de Andrade)
A sua chegada comporta uma erótica. Com breve vestido, Rhode é tão inesperada quanto intensa! Intensa na sua certeza, inesperada na audácia de sua guisa brincalhona do tempo. Rastrear a obra de Rhode, do seu sorriso transitivo ao poema fragrante, observa a tensão da matéria erótica... Namoro-a desde sua medicina à sua sensualidade. Talvez a sinta dispersa e realmente intensa por tais fragmentos desorganizados de ímpeto e deleite que coleto à ordem do erotismo.
Corpo miúdo de uma “pornografia desorganizada”. Cultura popular de sua beleza – tesouro exemplo na feminina compreensão de vida. Ela elenca o meu eu-lírico que a desenha apalpando-a na ordem estética, com sua forma vestida do proibido. Meu Eros típico de sonho atrevido, que antes desperto convence o domínio do proibido na minha vontade de dar forma ao escondido, derivando o desejo...
Maria atravessou o regato
Molhou a b…

Em terceira pessoa

Percorrer o cimento: há flores pelos trilhos. Não deixar escapar entre os dentes o sorriso: há fome de Ser!
A busca, como Maria, tem a estranha mania de ter fé na vida. Tem o romântico ceticismo de não acreditar na volta, no renascer. Para ela, a morte guarda com carinho os presentes que a vida lhe dá. Logo, o momento se diz fim d’um último segundo.
Enquanto espectros, somos seres de uma dança sem lugar ao som de uma música sem tempo... Sim, a morte possui uma estranha felicidade: diferente da vida, ela é sem tempo e sem espaço, como qualquer amante.
Nunca pensemos que o problema é solitário, já que o corpo é livre como o público. O erro apenas se torna infeliz na discordância do outro; e este é o ouro que salva o pensar do incômodo... De ti mesmo saberás com que certeza o mundo te olha. De nós, logo receptivos, saberemos, como o ser humano terá de melhorar. Voltar sete vezes no anteontem, se for necessário, num amanhã de novos tipos de pessoas da mesma mudança.
A história comoveu leis, …

Reflexões entre colegas: o doce e o maduro

Ensolarado final da manhã em que minha colega e eu nos dispusemos os pés para fora da escola e, enfim, conversar algo somente nosso... Aos passos da rua, ora reta, ora escorrida, ora íngreme e escalada para o céu da fadiga, as velocidades dos mobilizados partiam sem dó os nossos assuntos. Falar alto, dar licença, desviar dos esperados e estar sobre as regras da faixa soavam o antissocial íntimo de nós duas. No rabiscado trajeto dos temas comuns e alheios, minha colega comenta sobre uma conhecida:
- Ela tem o hábito de jogar frutas maduras no lixo... Desperdício estúpido! A fruta madura está no seu estágio maior de doçura e deleite amolecido...
- A natureza frutífera e nós, humanos, na sua magnitude senil... Percebe, somos a elas idênticos.
- Verdade. Meu Deus, nem no meio do fervor transeunte tu deixas de ser filósofa, Lari...
- Quando jovens e adultos, temos a rispidez a favor. Temos a intolerância da razão, o ganho da subserviência sobre a sobrevivência de si. Somos verdes, belos p…