sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Em terceira pessoa

Percorrer o cimento: há flores pelos trilhos.
Não deixar escapar entre os dentes o sorriso: há fome de Ser!

A busca, como Maria, tem a estranha mania de ter fé na vida. Tem o romântico ceticismo de não acreditar na volta, no renascer. Para ela, a morte guarda com carinho os presentes que a vida lhe dá. Logo, o momento se diz fim d’um último segundo.
Enquanto espectros, somos seres de uma dança sem lugar ao som de uma música sem tempo... Sim, a morte possui uma estranha felicidade: diferente da vida, ela é sem tempo e sem espaço, como qualquer amante.
Nunca pensemos que o problema é solitário, já que o corpo é livre como o público. O erro apenas se torna infeliz na discordância do outro; e este é o ouro que salva o pensar do incômodo... De ti mesmo saberás com que certeza o mundo te olha. De nós, logo receptivos, saberemos, como o ser humano terá de melhorar. Voltar sete vezes no anteontem, se for necessário, num amanhã de novos tipos de pessoas da mesma mudança.
A história comoveu leis, misturou alimento com sangue. Fez-se curiosa na criança que mais quer saber. Quanto mais se define, menos se conclui... Mais ainda se tocamos o conhecimento no outro: sem segredos, não há amor. Região fronteiriça e dual o indivíduo com sua linha tênue chamada matéria, que o difere na imaginação – este mar de dentro em meio à tempestade num corpo d’alma.