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Mostrando postagens de Outubro, 2015

Durante a sua insônia...

São suas mensagens que me visitam feito anjos obscuros do desvelo. Breves presságios de uma noite que alguém esqueceu o medo por tal qual estava escuro em seu próprio peito. Assumir e continuar afiam a navalha da escolha: podados os galhos fortes da sua árvore, querida, os frutos a abandonarão... e, da minha árvore, a minha raiz, mãe, desfalecerá derrubando-me.
Ainda sobre a sua insônia, que a cada manhã felicito o dia por lê-la, o seu riso acreditou na beleza. Muitas bobagens em comum de duas professoras cuja alegria tem sua fonte quente de palavras expiradas com o aveludado vento do segredo. Aqui, em meu celular, singelas figurinhas e ditos chistosos se alaram e vieram cuidar meu repouso (preferia que este estivesse ao seu lado, embora nela eu repousasse desperto meu olhar todo amoroso).
A aurora a surpreendeu e as estrelas que testemunharam suas mensagens e semelhança ficaram atrás da luz. Ah, quantas vezes! Na manhã a sua presença encanta... O dia é adocicado pelo seu bom dizer e…

Seu risco pelo livro

“Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o sonho na sua órbita.” (Saramago)
Escondia o meu tempo entre as linhas de Saramago, um livro que me foi dado com apreço por uma amiga, quando entrei nas páginas em que riscos oblíquos e vermelhos faziam pequenas retas abstratas cortando a leitura. Suas mãozinhas inconfundíveis entre os papéis não ficarão esquecidas! Continuarei a leitura com a memória que ali estava, sustentando aquelas tantas situações que presenciei apenas num convento.
No entanto, voltei e percorri os parágrafos que aquela cor sanguínea cuidadosamente se revelara. Ela estava na ordem da loucura, ora da pressa de se poder voar. As duas retas no final da página tinham a pressão cortada do receio e da expansão colorífera da mulher que conseguiu vencer o enredo e atender o filho pedinte. Essas retas formavam um ilusório “L” desajeitado, mas recreativo, ficando no canto do enredo.
Na próxima página, uma direta continuação com ondulada precipitação cortava o diálogo…

O justo perecível

A justiça tem o beijo de Magritte. Nós, de juízes, marcamos as caras sob o branco têxtil da sociedade. Se fomos ao inferno, o comando chantageará a austeridade. Diz-se razão experiente daquele que sofreu, mas ignorante como Creonte.
O livro que acompanha a veste do parecer, tocando no peito a humanidade, acalenta-nos com leveza mítica entre a fantasia e o conhecimento. Introduzem-se os tipos de julgamento à face da novidade pujante ou, mais tarde, com a paciência do tempo que carregou a experiência até ali. O drama é o anseio do inconformado, e não há final para a vaidade, ao contrário da vida.
O herói previne o real: não analisa o céu de um bandido, suspira mais que a antítese do capital, retém a egoísta glorificação. É diferente do comum que bate no muro com a cabeça e abre caminho para todos! Esta cabeça ouviu histórias de fantasmas, despedaçou encarnadas partes do sofrimento na defesa do seu próprio espaço-cenário engajado à paixão da justiça através da liberdade.
Não há maldade, t…

Memorial da existência

Ao se construir vem o concreto e o poder. Do pensamento às mãos, a segunda chance é apenas uma promessa. A vez, então, cumprimento da vontade, ilumina a mudança: norte do conhecimento.
Inventar-se no preceito que somos nós a origem que pensa traz o corpo, antes título do instinto, que sobrevive. A base da busca é o olhar, o conceito é o passo... Embora haja conclusão de uma perda, o encontro sairá de casa com a procura. Até nós, ele assume desejos amórficos de uma perseguição. – O que seria do amor se não aniquilássemos o orgulho? – São caminhos e divindades aceitas de si mesmo a cada passo para trás. Mas o nome ali continua firmando a edificação.  
Seja a massa as caras do nome. Para todo o mundo, é-se o mundo! Logo, em seu mais recôndito solo estão os costumeiros espíritos a viverem para si as experiências que os alienam do mundo e das caras. Constroem aquilo que nada prende ou repete, são velhos sem perda numa matéria que prescinde à natureza se fluindo ao ciclo do verme.
Emancipa-s…

Quando eu te der segredo

Tão longos os seus serpenteares frente a mim, querendo a audácia da música que sorria ao me mirar cantarolando ao vazio. Assim estava ela, tão breve ao meu corpo que teimava não obedecê-la, teimava a escravidão das luzes sobre si, rodando e rodando como a barra do seu vestido sobre as coxas.
Resolvi fitá-la nos olhos, e ainda aquele sorriso de laço encarnado cometia a mensagem dual feminina. Ela gosta do mesmo, ela é igual, prefere as rosas à exatidão, é delicada e quer a si mesma... Descobri que o fino salto do seu salto agulha me liberava a disciplinada nudez de uma fuga. Disse-me ela, então, que me conhecia de algum lugar... Tratei-a, primeiramente, como senhora. E ela me riu informalidade dizendo-me que conta com apenas quarenta e quatro... Ah, tão linda que me fez saber que a educação também comete gafes! Pois tinha eu a plena certeza de que nunca a havia visto... Mas logo emendei umas ilusórias situações de lá e cá do talvez que fizeram nossos encontros do passado, para ela, se…