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O justo perecível

A justiça tem o beijo de Magritte. Nós, de juízes, marcamos as caras sob o branco têxtil da sociedade. Se fomos ao inferno, o comando chantageará a austeridade. Diz-se razão experiente daquele que sofreu, mas ignorante como Creonte.
O livro que acompanha a veste do parecer, tocando no peito a humanidade, acalenta-nos com leveza mítica entre a fantasia e o conhecimento. Introduzem-se os tipos de julgamento à face da novidade pujante ou, mais tarde, com a paciência do tempo que carregou a experiência até ali. O drama é o anseio do inconformado, e não há final para a vaidade, ao contrário da vida.
O herói previne o real: não analisa o céu de um bandido, suspira mais que a antítese do capital, retém a egoísta glorificação. É diferente do comum que bate no muro com a cabeça e abre caminho para todos! Esta cabeça ouviu histórias de fantasmas, despedaçou encarnadas partes do sofrimento na defesa do seu próprio espaço-cenário engajado à paixão da justiça através da liberdade.
Não há maldade, tampouco maniqueísmo. Criatura justa na complexidade do sim e do não, humanidade. Ela, almejada no coletivo em si mesmo, condenando-se também na fragilidade do indivíduo. Tem-se a estrutura da repressão na transparência daquilo que se esqueceu de viver... Enriqueceu, porém, a premissa que depois se desteme. Logo ali, do céu escorre o véu que atormenta a zona de conforto do inofensivo.  

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