sexta-feira, 6 de novembro de 2015

E se amanhã a angústia

Ela pediu que o meu corpo renascesse em Corradini...

Amo-a calmamente entre os meus e os seus braços. Amo-a para esquecer, seja por um instante, que somos escravos da pressa que nos resta. O medo ainda pode ser um cuidado com as mesmas mãos que sufocam o trajeto do livre ar durante o corpo. Mas, do abraço dela eu tenho a composição para escrever em pé e repelir letargo...
Então, neste tácito mergulho de pelos que ornamenta o piso, juntamente estampado com suas peças íntimas e com suas arrugas, estudo um pouco sobre as relações entre modernismo e mimetismo animal. Desfaço-me da arapuca: a arte é um organismo liberto. Nada que te cobre vale tanto quanto o que te despe.
Entretanto, ela não era resoluta, tampouco senhora de si mesma. Permiti-me a sua aflição, sua controvérsia de criação. Deixei-a se questionar (e a se cobrir). Não mais a olhei... Cada eu sabe de sua liberdade. A irresponsabilidade ao usá-la vem do desconhecimento sobre si mesmo (ela continuou protegendo os seios, abraçada nos próprios joelhos). Assim confirmei que a chegada da proibição traz uma forma de comodismo... “A esta altura da minha vida” – surpreendeu-se consigo aos seus quarenta e poucos.
Cabe a educação esclarecer a dicotomia “culpa e vergonha” aos infantes e à velha teimosa guarda. A vergonha está ligada à ilícita continuidade até que se saiba do dolo. A culpa, por sua vez, percorre ao lado da autonomia: certificar-se do erro e prever-se pela consciência. “Tu estás entre ambas?” – procurei-a. “Não... E menos ainda sou acomodada, Larissa!” – revelou-me assim gostar do conhecimento, tirando da minha pele o alimento para a sua inconformidade.