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Mostrando postagens de Dezembro, 2015

Machuco o beijo

O limite mostra diversos caminhos que chegam a ele. Já agradeceu a sorte de ser escolhido? Teme se resolve pousar enquanto as asas não envelhecem ou se seus pés criam passos envolvendo lembranças. Em cada tentativa de censura, existe uma sabedoria capaz de cruzar o olhar com a luz. Então, os dias vão aquecendo a caminhada neste amor que, a-mar, transborda.
A carne jovem em dança evapora... Desaparece pelos passes a sua mágoa, e os olhos alegres rompem a aurora... Todas as horas levam ao fim, como baixando o véu róseo das figuras sombrias que se tornam os mais belos trejeitos abstratos do que se pretende. Meu D’us, há uma cintura em meu horizonte... À minha janela, por onde meus olhos lhe perseguem os vales, meu primor vem a ser a angústia de sua saudade...
Na verdade, amamos tudo o que nos desobriga! Mas, quando aprendemos que o sofrimento pode nos melhorar apreendendo-nos, virar o mundo de ponta cabeça, ocasionalmente, é questão de exercitar a resiliência. Sair da caverna de Platão p…

Pluma

Ela ia ao sabor da direção do vento. Testava o horizonte na percepção de uma nova ideogenia... Uma amenidade que me conteve ao mirá-la. Segui, então, a sua doutrina por alamedas e olhares facilitados. O espaço tinha a ela! Individual figura que me concedia o mito do belo, aliás, recompensava.
O dia se depauperava. O sol se despediu com imponência para o ciúme da noite que chega. Pessoas se afastavam fastidiosos, aceitando a desvantagem de suas energias... Os muros fechavam seus olhos com as sombras vindouras... Mas, ela, aqui permanece e torna clara a graça deste tempo, que sempre é hora de amá-la. Em minhas mãos ela se traz habituada com o meu silêncio... Solta-se e me dedica flores a mais na minha vida: uma composição para escrever em pé e repelir letargo! – Repito. Sequer a lua, que longe adornava o reinado estelar, é acrisolada como ela.
Fazer uma notícia que ontem provocasse, pois, a infância. A novidade, deveras, sente a ocasião deste nosso sinal, cuja displicência dos sonhos afo…

O segundo sopro

Resolvemos dormir. Quem confia, na aliança do hábito matrimonial, o espaço de total descompasso do repouso, sabe que o sono apenas chega com o embalo de ambas as respirações, naquele abraço circundante da mesma noite.
Entre um comentário e outro brevemente fechamos os olhos. Era “meio-da-semana” e o meu descanso já penava durante o trabalho. Talvez ela houvesse dito mais algumas palavras, que o movimento taciturno do assunto me acomodou ainda mais em seu ninho...
Passaram-se três, quatro horas de repouso até que ela me acode, me reanima assoprando todo seu ar para dentro de mim, segundo seu relato:
- Amor! Graças a Deus! Estás bem? – ela não esperou minha resposta... – Tu tiveste apnéia! Tu simplesmente paraste! Paraste de respirar! A tua pulsação parou! E tu ainda não me respondeste! – Nesta hora observei que nem meu pai havia dito tantas exclamações numa só frase... Comecei, por fim:
- Não sei... Digo... Parece que “voltei”. Estou com uma forte dor no peito, mais ainda no pescoço…

“Minha bela Marília”

Tomás ao seu nome agraciava com altivo vigor a calma da pétala no toque de sua pele. A beleza sua, Marília, usufruía o tamanho da paz, e as liras de pesar ainda lhe complementavam o encanto do meu pensamento.
O gosto em mim não faltou, Marília. A misteriosa flama criou de minha pequenez o corpo santo do meu fantasma adulto. Acreditei na memória implícita ao ter a consciência do depois. Agi automaticamente, Marília, ao lado que você não me via: era a benevolente capacidade da boneca que sua imagem me servia bela.
Não sabia, mas não parava. Melhor, tinha-lhe eu a mais rósea curiosidade. Ah! Aquela cara de Marília! Cara moldada na profundidade sanguínea dos diálogos de todas as gentes que dela nasciam... Cara de Marília, argumentada na melhor disposição da ventura de qualquer pessoa. E de tão minha pessoal, embora outro dia, ela ficava para sempre; pois não se despedia. Marília me era um ciclo.
Sua cara longilínea, com completo universo frequentado pelas projeções de anônimas vidas que …