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Machuco o beijo

O limite mostra diversos caminhos que chegam a ele. Já agradeceu a sorte de ser escolhido? Teme se resolve pousar enquanto as asas não envelhecem ou se seus pés criam passos envolvendo lembranças. Em cada tentativa de censura, existe uma sabedoria capaz de cruzar o olhar com a luz. Então, os dias vão aquecendo a caminhada neste amor que, a-mar, transborda.
A carne jovem em dança evapora... Desaparece pelos passes a sua mágoa, e os olhos alegres rompem a aurora... Todas as horas levam ao fim, como baixando o véu róseo das figuras sombrias que se tornam os mais belos trejeitos abstratos do que se pretende. Meu D’us, há uma cintura em meu horizonte... À minha janela, por onde meus olhos lhe perseguem os vales, meu primor vem a ser a angústia de sua saudade...
Na verdade, amamos tudo o que nos desobriga! Mas, quando aprendemos que o sofrimento pode nos melhorar apreendendo-nos, virar o mundo de ponta cabeça, ocasionalmente, é questão de exercitar a resiliência. Sair da caverna de Platão para brincar de Aristóteles numa vida que transcende a filosofia... As idéias submersas dissolvem-se em pétalas além-flores de si. Descobre a bela ida mergulhada em si, cujo ar que a vive submersa, a inspira.

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Contagem regressiva (e cíclica como o pesar de que a vida tem que continuar)

Sessenta, o ano daquele filme francês: À bout de souffle. Cinquenta e nove, o segundo anterior ao próximo longo minuto. Cinquenta e oito, os números na agenda. Cinquenta e sete, a idade. Cinquenta e seis, os batimentos cardíacos. Cinquenta e cinco, as fotos no celular. Cinquenta e quatro, os papeis embrulhados na gaveta. Cinquenta e três, o valor da última fatura. Cinquenta e dois, o bater impaciente das unhas na mesa. Cinquenta e um, cinquenta, a dúvida entre uma medida e outra. Quarenta e nove, o seu peso. Quarenta e oito, o número da música escolhida. Quarenta e sete, as vezes que passou as mãos no rosto impedindo as lágrimas. Quarenta e seis, os restos das mesmas unhas, agora roídas, em cada canto cuspido. Quarenta e cinco, o bolo no forno. Quarenta e quatro expirações de cigarro. Quarenta e três toques de salto alto. Quarenta e duas grades na janela. Quarenta e um, o final do último carro que passou. Quarenta metros de altura. Trinta e nove, as voltas giradas no cofre. Trinta e …

Troca

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Improviso e emoções alheias

A noite passada sonhei com ela. Despertei e ficou aquela sensação de pseudo-esquecimento. Não tenho pensado nela, mas parece que alguma parte inconsciente insiste em mantê-la por perto. Acredito que, por vezes, a mente crudelíssima e o coração – misérrimo coitado – carregam a culpa.  Levei o gosto da injustiça e da contrariedade do tempo, por todo o dia, na boca e no processo digestório. Cheguei à minha casa e mantive as luzes apagadas. No entanto, a posição do saxofone, do microfone e da caixa de som no meu quarto sempre encontra e reflete qualquer raio de poste, de grades, de vizinhos, de luas. É propositalmente poético, eu sei. Tenho competência ao arquitetar emoção. Dirigi-me até o sax e cantarolei uma canção qualquer entremeando ainda em pé o dígito de algumas notas. Não era hora de tocar, quer dizer, mas eu gosto. Quem não? Apenas não sinto segurança, faço-o escondida e sozinha porque – creio que mais pela raridade que pela afinação – sempre que me apresento em público vira um …