sábado, 5 de dezembro de 2015

“Minha bela Marília”

Elegia. Desenho a lápis de cor e toque de caneta pinche.

Tomás ao seu nome agraciava com altivo vigor a calma da pétala no toque de sua pele. A beleza sua, Marília, usufruía o tamanho da paz, e as liras de pesar ainda lhe complementavam o encanto do meu pensamento.
O gosto em mim não faltou, Marília. A misteriosa flama criou de minha pequenez o corpo santo do meu fantasma adulto. Acreditei na memória implícita ao ter a consciência do depois. Agi automaticamente, Marília, ao lado que você não me via: era a benevolente capacidade da boneca que sua imagem me servia bela.
Não sabia, mas não parava. Melhor, tinha-lhe eu a mais rósea curiosidade. Ah! Aquela cara de Marília! Cara moldada na profundidade sanguínea dos diálogos de todas as gentes que dela nasciam... Cara de Marília, argumentada na melhor disposição da ventura de qualquer pessoa. E de tão minha pessoal, embora outro dia, ela ficava para sempre; pois não se despedia. Marília me era um ciclo.
Sua cara longilínea, com completo universo frequentado pelas projeções de anônimas vidas que ela se permitia nos espelhar. Marília tinha de nós o seu repertório. Dedicava-se a nós, aperfeiçoava-nos desde a fragilidade à polêmica – um rico recurso atribuído aos gênios...
A Marília foi uma das amadas platônicas que vivi, quiçá a primeira. Admirava a habilidade daquela larga risada que enjaulava dentro de sua boca a minha tenra idade de menina... Desde lá eu via na moldura daqueles lábios de Marília, como ela citou, o quadro inacabado do, por exemplo, meu apreço que lhe confiro até hoje. Não, "minha bela Marília", de você nada passa. Tudo vive! Tua verve.