sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Para o nosso dia, Saudade...


E ela se lançou às cegas para que seu prazer a amasse em braile... (Foto: Larissa Pujol)
“Para onde quiser”, designa a liberdade. No entanto, fique que eu fico um pouco mais atrás, cuidando-a... Combinados tempos de saudade para adorá-la cada vez mais. Não estou pouco além das fotografias suas... O meu lápis dela a tem em minhas mãos. Saudade: sentimento mais urgente que existe! Prezo-a por demais querê-la livre! Peripécias conhecidas, e ela já sabe que tomo conta, que as apreendo em todas as classes de seu rosto.
Quão longe aquela canção sintoma que pesa no centro da minha terra. A paixão saúda à noite o sol da vida. Bate de frente, fica na frente. Saída não tem compaixão até esgotarem-se todos os limites. Nunca mais, é o inteiro nela que me leva... A morte enlouquece em vida e com as mãos minhas baldeia mares com todo o apetite que mergulho a boca nela.
O coração se horizonta em dentro, de dentro que ela me carrega mirando na sorvida do chá. Ainda sou sua menina e sei d’onde ela vem. A gente prepara o fundo... 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quando as asas abalam

... E foi no conselho das escolhas que minha liberdade tomou reticências... (Foto: Larissa Pujol)
Desce sobre a terra o corpo do sortilégio. Amigos aguardam a sua chegada. O corpo finalmente nos retira do bordo e por caminhos nos conduz pela cidade.
Na praça, incalculáveis monumentos que respiram espreitam a passagem do corpo do dia para prestar a homenagem simbólica do aproveitamento. Essa grande massa popular se estende por todo o trajeto de volta para casa – a protestar nos seios da mãe –, sorvendo fusão do ocorrido e suspeitando que vivera no roteiro...
Realmente impressiona tamanha prova e admiração pelo que se relembra. Tamanha estima provida por mais fama e canção. O corpo este é retirado do caminho e levado ao começo d’outro que a porta encerra.
Não ficará exposto até o outro dia. A visitação da carcaça, aberta ao público, supre muitos milhares de pessoas admiradas diante do corpo. Quiçá por ultima vez, a querida manifestação de perca interprete para sempre o repouso popular, levado pelas mesmas mãos que aplaudem.  

Crônica epistolar: Minha.

Para quem chora identificando a si a "Valsa dos Aflitos". Perdendo-me, pois, a qualquer custo de passo. Ainda tua. (Foto: Larissa Pujol)

Minha, eu te amo!

Quando ressoa a batida pelos corredores do segredo, recolhemo-nos nos aposentos da aparência; e que esta ampare com sua tragédia os insultos da provocada indiferença. Nossa vaidade se comove. Subitamente, há desordem na angústia de nossos planos. Percorrendo quente pela via escorrida da Temperança, a emoção, de um alto a baixo, permite a deixa conturbada sufocante da voz...
Bem que criamos a liberdade, vivendo de nossas riquezas ofertadas pela abóbada distante. Antes bem nos funcionamos envolvidas pela agitação avolumada. Nossos encontros por trechos e nos assumindo dentro das espirais ensinadas. Ensino que a tudo destrói nas verticais dos valores, do amor, da vida, da resistência. Vínhamos resistindo, porém, à pressão incauta do que escolhemos para viver fora deste local... Em meio à disciplina que exigimos tudo é silêncio. Suportamos tudo em silêncio. Tudo esquecendo, ao mesmo tempo, tudo lembrando o que nos espera, quem nos confia: o renunciado.
A defesa nos queda desamparada, minha ser. Nada mais nos oferecemos a não ser o anseio pelo dia seguinte. Sangue este, escravo de nós que responde à realidade com perdão, à procura deles com recusa. Havemos lutado nas escusas do nosso ânimo. Nada nos abateu, tampouco nos receou. A serena intenção do primeiro passo, minha amor, nos retirou da simples perspicácia. Deixamos o hábito para nos permitir a solução. É o que codificamos. Divinas, nós. 

A te viver,
Tua menina.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O aposto de "meu bem"


Um ser profundamente e visceralmente antipático. Dizem que nem ele gosta de si. Mesmo assim, por incrível que possa parecer, ele tem adeptos. Muitos adeptos. Quem o sente, o sente como poucos. Dentro da sua antipatia, da sua arrogância, da sua intolerância, da sua vaidade está o seu carisma. Queira ou não, ele é uma força popular. Tem perfume de estreia e alma de velho. Possui uma grande solidão dentro de cada atitude. Ele é profundamente antipático, mas tem coragem, tem garra, tem sangue. E esse sangue, ele aposta que é transparente.
Quem é ele? Qual o seu deus e o seu diabo? É o que descobrimos aqui na escolha mais importante: sermos aceitos pelo que somos ou aceitar os outros pelo que são. Qualquer lado da porta também é casa. Que se viva, então, a verdade. Viva o que se sente, pois ele desconstrói o Belo. Ele raciocina a eternidade de sua palavra num pedaço finito. Exacerba a qualidade oculta lisonjeando a virtude... Indecomponível, ele tem de si uma beleza nos costumes. É triunfante, mas sublime quando luta! Até a morte por ele é habitualmente clássica, intelectual, noticiada e digna dos melhores arranjos nos palcos... É a serpente que evoca ideias baixas, mas também a unidade na variedade...
Ele é a diferença especial num ligeiro julgamento. De dias ruins, dias raros, dias bons e rotina, nem a convivência ensina a maneira de possuí-lo.    

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A cintura do caminho

Especialista em criar nuvens... em despejar-se chuvas de cores quando alma expirada... Imagem: Larissa Pujol.

Existe uma enorme imaginação no andar do ébrio. São trocas de violinos nos saltimbancos do piano, acalentando aleatoriamente os seus encontros. Qualquer ponto de partida se torna um espaço adicionado de adeus. A História, destoada da utopia, se cativa nas telas de Bosch... Deixa-se bela com as filhas de Lot. Embriaga-se melhor que o pai... Camuflado nos cálculos, a normalidade estende seus desvios escusos. Quem cala os faz na descida e na subida com suas curvas ao meio do corpo.
Os termos completos são desculpas para a ingenuidade. As letras, aleatórias, constituem o caminho das torturas e das lânguidas torcidas equilibradas numa consciência sistêmica. Os sintomas se acumulam na invisibilidade do homem: sua voz toma as mãos. Ela apenas imbui o silêncio da boca para fora; e lá o mundo é deserto para um.
Tremidas cardioutópicas e quietas pela musa-rua que aceita a criação do reconhecimento. A lente focaliza e se retrai dançando a imagem. Razoável condição para enxergar a mobilidade transformadora dos sangues. Agradeceu, então, as formas distorcidas antes da guerra – em época –, pois não interpretaria a partir dali os boletins do acaso. A intuição pesquisa pessoas e as torna incertas. A realidade, ingênua, acredita no que vê. A verdade, perspicaz, no que sente.