sexta-feira, 27 de março de 2015

Ela votiva: vaga, deliciosa, estranha

Que extasiada manhã, colorida do nosso ser único a sorrir o eufemismo dos minutos. Estes se esvaiam entre uma clarividência e um retrospecto que insistíamos haver coincidências de nós... duas.
Aproximar-me de ti, querida, é alar o perfume das emoções. Extrato exalado das mulheres compostas de sangue da flor – que palpita nos vãos límpidos e satisfeitos do sentimento, buscando a alienada expansão do próprio corpo, mais para uma e outra libertar! Espiritual desprendimento do tempo e deste local que nos embriaga com o dever cumprido, somos duas plantas amigas de amor interpretado nas sensações secretas.
Ah, querida liquefeita! Teria eu em ti o meu cálice no leito! Meu desespero de vida, que calada por ti, vagueia só em teu tenro ninho de humana, ama teus assuntos e desabafos pessoais, e sem querer percebe que se ausentara no desejo desta que te confessa, deixando parte da atenção em algumas páginas atrás. É a vontade cínica de cobrir as estrelas de tua ampla boca com a minha. Nunca mais sorririas a outrem! A mim, terias tão somente espasmos de sobrevivida entrada e saída de ar, sorrindo as estrelas, e voltarias para a introspecção aprazível deste meu sonho que muito te quer e todo o dia te pede em matrimônio – matri, mater, mulheres!... No entanto, o silêncio mediador conclui que tua felicidade possui a essência venenosa dos costumes, embora em mim habite a aurora do amor que me figuras nessa tua face linda! Linda face! Jardim onde as flores nascem lascivas pelas mulheres. Continuamos assim... Nua tu, minha essência terrena.   

sexta-feira, 20 de março de 2015

Feminino plural

Ao encontrar mais um entardecer na sua presença, a minha música dela: "e quando escuto o som alegre do teu riso que me dá tanta alegria, me deixas louca"

Como o rolar reto dos pedregulhos, tudo se acomodará no solo qualquer. Imo onde se pisa retraindo calafrios de raiz a dimensionar capítulos férteis sob a sombra carregada. O alimento deixou a planta para idolatrar a morte... Alguns pássaros se tornaram simples cores acompanhadas de distância; e nesta singular paciência, a solidão colhe os livros e discos da abandonada casa no campo. A Dona Elis cuidara alegre dela...
Desafio protegido em seus braços, local de cela! Anéis de brandura no olor do seu sol vêm ao encontro do mundo. Risco a vertente do feminino voraz, capaz de debilitar-se. Hábil linguagem do horizonte, da terra espreguiçada em gestos sinuosos do corpo... dela!
O que é vida se espreguiça nela! A água ondulante, a voz que vibra... Há boca fresca nesta em que me cativo! Coisas e criatura, espaço silvestre do livre arbítrio. O zênite ganhou de seu sol o princípio significado. No declive da luz, assim, libertam-se os membros estalando rústicos suspiros. Exaustas seres, murmuradas coisas para não perturbar o segredo que repousa. Perfume, aqui, imobilizando o ar, arquejando o desfalecimento do tempo... Vencida nos braços flácidos da tarde, esvaio-me reclinada entre seus seios...

sexta-feira, 13 de março de 2015

Falcoa


"No deslize da brisa há um carinho de pluma pela minha epiderme a roçar, quando em quando..." (Gilka Machado)
Cruzando inverso, não desaparecendo o abraço ou a minha possessão. Num bar de Nelson, as palavras rodrigueanas significaram a cubista manifestação de adultério. Há pouco, aquele cotidiano cantado pelo Seu Chico sobrou neste vidro vulgar, nas dependências do intangível.
Sabotar, colocar sabor na violência do teu gosto. A música sublinha o conselho árido da dor, em qualquer solo ritornelo sem casa. A madeira conversa, o metal aperta. Chaves que encerram e livram a maior destemida do suspiro. Prescreveu a angústia resistente, menina... mas nos teus sonhos a cintura nua da outra curva projeta animada a saudade do teu oco vão ansioso: a vaidade afanada que ela pensa em mim... Nome, teu nome rosado. Algum extremismo de atenção que a desperte no que me olha.
E o solilóquio respondão ameaça iniciativa. Vestido não lavado porque nele ainda peregrina – em seu colo, em suas costuras decotadas e cinturadas, em sua barra divisória do tesão e do tecido – o indelével perfume da ser que abracei. Nossos cavalos, então, sem chance de desgarrar as patas para um gesto anárquico de sobrevivência: cansados de carregar sobrevivência! Mais um beijo, meu alimento de flor. O Éden é profundo e sem conversa.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Flagelo ególatra ao cuidar d’uma outra ser...

Não há conflito sem audácia. Preparar-se é bobagem crescida para a angústia infantil. O céu emancipou-se, então... E dele as vontades agora podem desabar conforme sua revolução. Ideal por que é cabível num minúsculo instante de corpo que somos, endeusado por que antes o outro farelo vestia utopia.
Saudoso carinho parental, dito para enfim afastar-se. Foi o beijo perdido nas moedas trocadas. Foi desejo sobrado nas amanhecidas migalhas que comíamos. Gente: uma promessa homônima! Caso averiguado, mas esquecido no peso fardo de não poder voar. Caiu. Ou, melhor, repousou para assistir ao pôr-do-sol... Um fenômeno que coube no céu, e que logo se dilui nas lágrimas estelares da escuridão.
Os meigos círculos brilharam antes. Ampliaram a lua tanto quanto a mulher. Soube atentar às palavras com guisa única da criação... Aconselhou o amor e teve severidade terna ao moldá-lo de si mesma. De mim, alguns incontáveis barros ela quebrou. Sim, ela tem força. Força o bastante para impulsionar os moinhos de vento na destreza da razão. Meros cúmplices resgatados no perfume que deixou ao se esfregar em meu peito... Julguei, portanto, o meu átomo de prospecto na sapiência do eremita. Na misantropia de sujeito, corrigi o sonho com o qual o humano ama, vista a possibilidade...