sexta-feira, 29 de maio de 2015

Por quem meu gozo dedica o ar...

Round midnight... Foto: Larissa Pujol

Então ela caminha ao meu encontro, de braços cruzados, como um sopro obscuro e sexual d’um saxofone... E eu a respiro de perfume em mulher nos meus solfejos bailados de cintura, quebrando lá e cá o serpenteio da nossa feminilidade. Ah, em minha boca ela bate staccatos mordiscados de língua, tira-me a boquilha, e me preenche, deveras, de ar e socos ternos cujas ondulações descem minhas mãos pelos seus finos e lisos cabelos.
Cintura fina e forte! Músculos! Somente o seu salto tocado decidido acompanhava este meu sopro. Ela desce do salto, sua única veste, revelando que o sentimento é o estado fértil da razão... Sustenta-se agarrada em meus seios, atrás de mim, apertando liberdade desde os pés pequeninos, no gélido solo, ao encosto suado da primazia de sua púbis macia e negra em meu quadril. – Diz para mim um "te odeio" bem rodrigueano... – Enlouqueci suas rugas. Antes, primitivo e espiral, o coração curvou-se de maduro quando meus dedos abriram seu corpo através do zíper atrás do vestido... Ela não treme, então. Fixa-se na minha síndrome arrepiada de estar bem. – Minha garotinha... – Derrete assim sua era uma vez, virgem..., eu.
Então ela comanda a sua saxofonista deslizando nudez por todas as chaves que pressiono. Não erro. Sopro e inspiro seus gemidos de voz madura e ligeiramente metalizada... Mulher de sombra aguda, de tons labiais e agrado todo meu: toda minha. Toda minha na sua vaga satisfação. Árdua travessa de seus finos dedos, outra vez, a sugar meus intervalos... Aberto o ar acalentado, minha boca despeja nos ouvidos dela gotas de seu convencimento, o mais significado possível, como o veludo ameaçador de brilho e cor.
- Amo-te...
- Amo-te...
- Amor eterno!
- Amor eterno!
Natural, a cama é o melhor casto prostíbulo...


 play!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Figura exclamada

De que modo o segredo não deixa sombra? Foto: Larissa Pujol.

“[...] e cheias de ternura e graça foram para a praça”, nos entremeios dos filhos e filhas que planejavam criar com os olhos puros, dizendo uma ou outra simplicidade fácil e inumerável que ambas superam. “Amo-te” o beijo proposto naquele instante escuso do mundo, caminhado pelo corredor. Almejo com magnânima e expressa louca vontade de abraçá-la até derretê-la ao pó de sua maquiagem... Aquilo que o bicho aninhou apenas sai ao alçar voo e ganhar corrida... Cada vez a sequência tem nosso alfabeto. A mulher encoraja predestinada à liberdade; e, se tolhida, ama ao embaraço de sua abstração, quando olha para o paraíso simplesmente encontrado ao seu lado. Sabe-se que o doce aquece a boca, chove a língua, goza deglutido! Apaga-se por momento na parede, escorrendo a imperativa satisfação. Querer ao passo que visa o aproveitamento. Sem o molde, a respiração toma conta... E uma da outra... O sentido aparece mágico durante a confluência dos vestidos entre o vento... 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O siso da profissão

- Sora, a senhora tem um abraço tão maternal...
Expectativa: agradecer a amável comparação.
Realidade: Não chores! Não chores!

O crescimento é o melhor conteúdo. Amada miudeza curiosa, por vezes taciturna de idade, que amanhece pássaros antes sonhados nascimento... A gestação enluarada acarinha a criança da mensagem. A fortuna próxima do amor que dispensa estereótipo – filho, filha – no bem-querer da sabedoria.
Acolho neste ninho a inefável plenitude do ser. Imenso pensamento a se completar pelo alcance de seus desafios corridos, saltitados, chorados. Entretanto, rebeldes de tagarelice e cabelos multicores... Jovem querida de carência, filha de destino efêmero: logo continuará sem mim, talvez pela vez distraída que sua adultice não me a fará reconhecer. Detalhes cujas rugas perecerão do carinho. Este ato sem segredo de sinceridade, incomensurável no breve espaço que abraça.
Remedia a labuta este reconhecimento. Nos vitrais empoeirados de vida, a tua semelhança caberá nos calcados detalhes... Soube-me o afago dizer que a sensata presença se filia ao sonho caridoso. Quão amplo e permanente este ser! O santuário assinou a justa manifestação arquejada de alegria. No mais intuitivo dos encantos, a crença materna...  

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Harmônicas de minuto

Faz-te carinho a delícia expressa da surpresa, à súplica desvairada dos modos. Os saltos são verbos ansiosos, agora, como crianças, marcam passos na corrida para a cama. Além-mar, tu sabes, pequena, que nas ondas dos meus lençóis, (a)mar exige mais fôlego e mergulho total uma na outra... Ah, o fôlego. Quando nos une, falta. No entanto, ao consentir a ausência, tento ouvi-la nos pares do relógio.
Permito-me transcrever aqui o sentimento enquanto te escuto nas horas. Eu te amo, querida, de um modo inimaginável, quiçá doentio e amargo. O tempo tem, na sua palavra complexa, a desertora sensação de profunda alma que retesa os nervos de prazer no indubitável desejo de se expressar...
Então, dos arrabaldes surge a fantástica fumaça extasiada de desconhecido. O êxtase beatífico confunde a dor na rara beleza que verte preenchendo o misterioso caso. Seus fantasmas de vida distraída, mas romântica, existem no interesse que cinge a linha do querer. No horizonte, as árvores tranquilas do teu pensamento parecem emanar o calor da luz suave que cintila os teus olhos. Não havia tempo tão belo quanto esse! Tua figura bem-feita sobressai vivida, minha amada, afirmando meu hábito com tua graça. Observei a natureza: ela a tua volta se vê tépida e luminosa. Um redor cristal fosco da liberdade.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Extenso conforme...

Mesmo com as mãos frias ela escapa um dito saudoso de bem-querer. Não é, portanto, fantasia aquela passagem, a minha preferida, cujo semblante descrimina a suntuosidade de sua modelo.
Boca pequena do seu melhor sussurro. Aprendo logo a incrível habilidade na pele loquaz; e que de tão louca e vulgar, seu peito expande o significado de ela ser... Há por querê-la esta natureza morena, muito forte e perene até onde ela permite o fundamento do meu pranto. A palavra de sua enciclopédia comete antônimos de menina. Violenta com sua rosa o fraco sorriso que em mim adoece... Acaricia com verbos a vida que mente dizendo “sempre”. Somos o que pertencemos à angústia; no que respira a ida, uma ressalva.
Importante e contente o animal de si procura. Brada o mundo e solfeja a mulher – na cama em que a ouço e me despeço. O efeito, sua cor, seu braço num córrego-derme perfeito de luz acolhido ao fechar dos olhos. Cria, esta amada minha, o fato por suas rugas. Juíza camuflada por planos e panos que rasgam em qualquer saída de unha...
Existem quantos dias quentes para discutir, mais o porquê daquela roupa perfumada. Zelo que cabe no colo e na paranóia da experiência. O habitat de sua crença por fazer-me dela.