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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

A bagagem de simbiose...

Ansiava a chegada à minha primeira casa. A cidade bem me recebia com sua nebulosa sexta-feira. Cinza, a cor mais aconchegante. Boa para o meu Estado, combinada com a ansiedade dos conterrâneos. Antes São Paulo desfrutara deste ambiente com lufadas álgidas e generosas e São Pedro. De lá, eu contava tudo a ela. Aqui as deleito: da cinza e dela. E ela tem mania de me fotografar veladamente. Registrou-me na sala. Apagou a imagem dizendo-me que aquelas grades da janela não combinavam com a liberdade que eu prezo. Indaguei à minha namorada, ora, se a liberdade não é poder combinar com o que quiser... Voltou a me fotografar enquanto eu, longe das vestes cansadas de pontes-aéreas, dissolvia a bagagem. Ela queria atenção tanto quanto os recibos pagos que eu envelopava e guardava no possível esquecimento. Vida de casa a casa, entre a cônjuge e a solidão através de uma comunicação abstrata. Louca... Enfim tomei-a no colo! Apertei-a mais que as dívidas... Aos seus pés, abaixei a cabeça entre sua…

Um carinho desde São Paulo

Fiz as pazes comigo aniquilando o medo de te telefonar. Uma mensagem para avisar quando chega o meu voo, o quão meu abraço carrega as bagagens... Querida, a garoa de um frio por cá gostaria de me cobrir com tua pele. Em Sampa, a saudade continua chovendo fora de mim.
A data contorna pelas rodas do carro os caminhos permitidos do teu pensamento. Na República, estaciono na imagem daquele beijo – que longe era de nós duas. Minha boca não pôde ser retocada. Deixei a cor do teu batom marcada na carta; sem mais, escrita com o excesso tirado pelos dedos que a resposta guardou.
Tua voz, embora limpa e seca como um uniforme, liberta a carne do tempo. Uma palpável presença de velhas paredes ao lar que chamamos de amor. Em tuas sombras que eu abstraia nestas paredes, qualquer sinal decrépito destas desabrochava e adquiria a formosura tua de mulher acariciada, assim como o temperamento de uma delicada ópera.
Entretanto, permaneço a te contar as espantosas momices de tuas sombras... Na sobra que ela…

Conversa de ano-novo (a continuar o parecer)

As estúpidas indagações “Será?” “Não sei... Não sei...”, ainda proferidas pelo temor de si mesma, prendem injustamente a fatia tolhida à guisa inapetente de manter a espécie. Ao se relacionar com alguém do mesmo gênero não há competição, há competência. Revolucionada seja esta descoberta, descoberta de suas vestes! Sem perceber (ou sem querer), a felicidade ainda é tratada como agouro. Se bem está, ocasiona o medo de perdê-la desapropriando-se de si na claustrofobia dos templos.
Fingir que vive em uma normalidade feliz está na receita do medo. Aproveitar a tentativa de uma fértil relação com o mundo, sem o peso da alcunha do niilismo que na fotografia do porta-retrato social preside, transfere a democrática motivação de sorrir ao prejuízo. No entanto, cara amiga, eu tive o otimismo de que uma borboleta saísse do mundo para polinizar o meu refúgio. Aqui dentro ela polinizou no sonho. Digo-te: foi uma doce atração de uma vida casual...
Assim defini a felicidade olhando pelo ângulo cert…

Conversa de ano-novo: apenas a resposta

Percebi que minha amiga estava curiosa. Saber como e o que faz ao se igualar o proposto sentimento totalmente feminino. Desvio-a do assunto diversas vezes, por respeito à minha querida. Um, dois, três minutos depois ela volta a me perguntar sobre a diferença que há.
- É bem melhor. Esta é a diferença!
É um toque macio, merecido pelo paladar estremecido de uma pele nua. As mãos esculpem o cheiro das curvas e, caso elas caiam no desvio, entram novamente em outras curvas chamadas seios... O beijo recebe a beleza das rosas, ou dos jasmins, ou das amêndoas que regozijam-se diretamente com o seu sangue, que pulsante, evapora nas pétalas dos lábios toda a evocação natural da avidez salaz.
Cúmplice, a cor do batom bem macula as tortas, mas suntuosas, passagens. Desenha abstratamente a coordenação dos reflexos entregues à certeza de bem adornar o encanto. Ser apreciada também por tais sinestesias ornamentais de gestos coloridos eleva um patamar de sabedoria. Aquela força rústica que impõe pr…

Helena em porcelana

No papel não caberia o que no corpo já não cabia na poesia caberia... Sexta-feira. Este quando! Quando me despeço dela, minha amada, todo meu ser resta no abraço deste singelo apreço de porcelana que ela me regalou antes de ir. Quando a gente se encanta junto, o deleite acontece a toda hora... Levo, pois, todas as horas do mundo em seu sorriso, revivendo depois, novamente, à aurora do amor que figura nessa sua face linda, Helena... Tão linda como se você mesma houvesse inventado a beleza...
Sim, Helena, você também foi uma das melhores coisas que me aconteceu neste ano que se vai... No entanto, a solidão trata de ser uma estimada virtude, sem influência profunda de que me abandone – assim já – com o tempo.
A minha Helena. Realmente ocasiono quem sou a sós. O que é melhor, querida saudade, para você que me vê, tanto como para quem realmente sou. Não temo as sombras, pois a noite me camufla nas trevas em que todos agouram seus instintos... A real-criatura se vale da escuridão, aproveitan…