sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A bagagem de simbiose...

Ansiava a chegada à minha primeira casa. A cidade bem me recebia com sua nebulosa sexta-feira. Cinza, a cor mais aconchegante. Boa para o meu Estado, combinada com a ansiedade dos conterrâneos. Antes São Paulo desfrutara deste ambiente com lufadas álgidas e generosas e São Pedro. De lá, eu contava tudo a ela. Aqui as deleito: da cinza e dela.
E ela tem mania de me fotografar veladamente. Registrou-me na sala. Apagou a imagem dizendo-me que aquelas grades da janela não combinavam com a liberdade que eu prezo. Indaguei à minha namorada, ora, se a liberdade não é poder combinar com o que quiser... Voltou a me fotografar enquanto eu, longe das vestes cansadas de pontes-aéreas, dissolvia a bagagem. Ela queria atenção tanto quanto os recibos pagos que eu envelopava e guardava no possível esquecimento. Vida de casa a casa, entre a cônjuge e a solidão através de uma comunicação abstrata. Louca... Enfim tomei-a no colo! Apertei-a mais que as dívidas... Aos seus pés, abaixei a cabeça entre suas mãos, escondi minha respiração entre suas pernas para deixar escorrer pelo Letes a saudade que dela senti.
Peça por peça da bagagem, consinto que o pouco se arrume melhor por ser pouco. Mas, por enquanto, a felicidade é ter uma cama para desarrumar... Pensei: algumas pessoas levam uma vida correta demais para ser interessante. Os estalos que ela me beijava competiam com a queda da chuva das dezessete horas. Comparava os dois fenômenos aos puxões energizados dos meus cabelos à sua escuridão. Subi as mãos, os braços, aos seios, ao rosto... Fui-lhe mitigar o grito, ecoou por dentro, virou gemido e dissolveu no vento (lá fora!). Paralela à chuva, realmente, tudo o que me inunda vem de dentro...