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Conversa de ano-novo (a continuar o parecer)

As estúpidas indagações “Será?” “Não sei... Não sei...”, ainda proferidas pelo temor de si mesma, prendem injustamente a fatia tolhida à guisa inapetente de manter a espécie. Ao se relacionar com alguém do mesmo gênero não há competição, há competência. Revolucionada seja esta descoberta, descoberta de suas vestes! Sem perceber (ou sem querer), a felicidade ainda é tratada como agouro. Se bem está, ocasiona o medo de perdê-la desapropriando-se de si na claustrofobia dos templos.
Fingir que vive em uma normalidade feliz está na receita do medo. Aproveitar a tentativa de uma fértil relação com o mundo, sem o peso da alcunha do niilismo que na fotografia do porta-retrato social preside, transfere a democrática motivação de sorrir ao prejuízo. No entanto, cara amiga, eu tive o otimismo de que uma borboleta saísse do mundo para polinizar o meu refúgio. Aqui dentro ela polinizou no sonho. Digo-te: foi uma doce atração de uma vida casual...
Assim defini a felicidade olhando pelo ângulo certo. Não adiantava a vida em que eu buscava na quantidade o que a qualidade não me satisfazia. Há de se escolher os caminhos pelos quais o retorno seja tão saudável quanto à novidade... Realmente amo, mas agora. Do meu lugar: o frio. Dos meus amigos: a boa prosa. Do meu amor: a nudez. Acalorar é a função! Este corpo desarrumado é único; e sua certeza tem a possibilidade endeusada de destruir obstáculos à língua, a dedos, com a terna passagem d’aurora vermelha de Velásquez no vestido dela...
Ela entendeu, e mordeu mais uma romã servida na ceia. 

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Entre amigas: a passividade do possível

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