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Helena em porcelana

No papel não caberia o que no corpo já não cabia na poesia caberia...
Sexta-feira. Este quando! Quando me despeço dela, minha amada, todo meu ser resta no abraço deste singelo apreço de porcelana que ela me regalou antes de ir. Quando a gente se encanta junto, o deleite acontece a toda hora... Levo, pois, todas as horas do mundo em seu sorriso, revivendo depois, novamente, à aurora do amor que figura nessa sua face linda, Helena... Tão linda como se você mesma houvesse inventado a beleza...
Sim, Helena, você também foi uma das melhores coisas que me aconteceu neste ano que se vai... No entanto, a solidão trata de ser uma estimada virtude, sem influência profunda de que me abandone – assim já – com o tempo.
A minha Helena. Realmente ocasiono quem sou a sós. O que é melhor, querida saudade, para você que me vê, tanto como para quem realmente sou. Não temo as sombras, pois a noite me camufla nas trevas em que todos agouram seus instintos... A real-criatura se vale da escuridão, aproveitando a si mesma para se valer de ser o que temor daquele que se considera um ser de luz... Mas também sou eu sol anuviando-me de você, Helena, em mim, abstraindo para as nuvens que expiro em nicotina... Jogo tudo para o ar acima, e este sopra a letra do seu nome ao céu, pernas ao léu que partem de onde a volta não mais era você, Helena...

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Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
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