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Um carinho desde São Paulo

Fiz as pazes comigo aniquilando o medo de te telefonar. Uma mensagem para avisar quando chega o meu voo, o quão meu abraço carrega as bagagens... Querida, a garoa de um frio por cá gostaria de me cobrir com tua pele. Em Sampa, a saudade continua chovendo fora de mim.
A data contorna pelas rodas do carro os caminhos permitidos do teu pensamento. Na República, estaciono na imagem daquele beijo – que longe era de nós duas. Minha boca não pôde ser retocada. Deixei a cor do teu batom marcada na carta; sem mais, escrita com o excesso tirado pelos dedos que a resposta guardou.
Tua voz, embora limpa e seca como um uniforme, liberta a carne do tempo. Uma palpável presença de velhas paredes ao lar que chamamos de amor. Em tuas sombras que eu abstraia nestas paredes, qualquer sinal decrépito destas desabrochava e adquiria a formosura tua de mulher acariciada, assim como o temperamento de uma delicada ópera.
Entretanto, permaneço a te contar as espantosas momices de tuas sombras... Na sobra que elas me assistiam, restei-me sentada, perfeita e furiosamente imóvel por um átimo, enquanto as nuvens disparavam. Isso tinha algo a ver com o anoitecer, e também com o café... A conversa morreu durante a trilha invisível que nos conduzia aos espectros d’alvorada em Moema...

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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
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A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…