sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Crônica epistolar: Querida

O suspiro é a melhor dedicatória... (Imagem: arquivo pessoal)

Querida,
Simpatia é o sentimento que nasce no momento sincero do coração. Tenho por ti mais do que simpatia, tenho por ti mais que admiração. Tenho por ti uma vontade imensa de penetrar no seu coração e a casa da tua alma. Sinto que tua alma é um ninho oculto nos matagais. Quem acertar o caminho, não voltará jamais... Perdoa-me por nunca identificar este meu amor que te aprecia.
Suspirei. Suspirei por este quem que és tu, o meu segredo. O suspiro é uma dedicatória, um arrepio da alma. E eu te encontro, querida, como Gilbert, que sente a poesia dentro de si. Não há fome que me apeteça mais, minha linda, do que a dificuldade de viver sem esta ilusão à toa...
Nada fui do que planejei, amada, porque sonhei contigo. Ah, quão nosso poder humano de discernir sobre o que as coisas são e o que elas poderiam ser, que Hazlitt ainda elementa o meu riso e o meu choro, na vez de sofrer mais com a perda da ilusão do que com a perda da realidade.
Como estás, minha querida?
Saudade não se define. É uma palavra, uma reticência. E se tu, minha quietude querida, queres que eu rime, saudade é a dor da ausência.
Eu te amo.
L.P.