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Frente ao inverno do bom café (cena noturna)

Ah, e a lisboeta ali, em outro vácuo temporário de descontentamento, erguendo para si um mundo que se movia romanticamente, requintadamente e um tanto tragicamente comigo sentada à sua frente... Eu tanto a observava na personagem trágica que se impusera, como a mim mesma desempenhando o papel de uma atriz cujo termo balzaquiano se adere ao meu perfil dissolvido n’algumas dobras adiposas de pele, mas capaz de atuar a menor deixa em qualquer momento. Doutro lado, enquanto isso, as mais jovens amarguradamente roem as unhas tingidas nos bastidores.
“Vem cá!”, ordenou, e eu atendi. Na sua lusitana fosca pretensão surgiu-lhe novamente a trágica e jovem acossada sensação de perda. Então me dei conta da triste fecundidade do mundo e do realismo esperançoso que engana a si mesmo. “Quero um beijo teu!”, fixou ela, Joana, tornando-se um animal desajeitado e decomposto pela obsessão.
Não! Eu não lhe tinha sequer o mais fraco movimento de rejeição. Suas mãos tombaram sobre minhas coxas enquanto eu continha o instintivo e brusco ataque de fuga... Isto deixou no crepúsculo um antagonismo invisível e defensivo, expandido em constantes ondas cumulativas que levavam a mim e a ela pelo Tejo.

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