sexta-feira, 22 de abril de 2016

Aurora branda

Erguendo a maré amarga do tempo, aquilo que mantive retornou um passo à frente e a fundo de mim que conheço supostamente. Quem me deu um abraço assim, maior que esta fama da maré? Velhos amigos indo rosto-a-rosto, levados à frente e a fundo de mim, apagando-se da mente.
Te voilà! – Imortalidade à sombra da expressão “bom-amigo”. Alguns personagens sepultos, à ode dos vermes, que jucundos desaparecem os vultos, urgem logo adiante na prosa famigerados como cães e percepções! No mais existiu alguma amada como amou Catulo... Mencionada hoje nos becos onde suga óbolos do magnânimo Remo. Vênus e Cupido choram a maré da apóstrofe moral: uma das permitidas deidades do amor.
Outra cauda já recolhida como Lálage encerra a sina repetida da âncora decorosa que um trecho verbal se desprendeu. A todo nu da estátua de Isolda merecida como metonímia dos laços do corpete que apertam, ainda faço a franqueza da dama emprestada com meus dedos de Hera presos entre as suas fendas; e escorrendo, a mesma maré olorosa em sedas do instinto me passeia fluindo na liquefação de nossas vestes, à frente e a fundo de mim...