sexta-feira, 15 de abril de 2016

Gôngula em papiro II

Não há por aqui tal primavera cidônia de Íbico, aquela que traz seu séquito. As Mélides e as ninfas chegam emergidas d’água durante a corrente no asfalto, simulacras à ventania ruidosa, paisagística e selvática da Trácia.
Vulto tênue que se apega. Dela é movida em meio ao ciclo do vinhedo coberto de um feroz brilho. Vai-se sem deixar pulso nas veias – ela que então torna-se árvore agarrada a sua vida sem ar que a parta.
Folhas se esvaem das Mélides simulacras. Uma álgida folha cinza-oliva dela desliza na boa relva que passos perduram úmidos. Cada uma, pequena canção nua e impudente ao pé-ligeiro do sopro. Pertinente preferência d’alguma ninfa iludida e arguida vertigem da emoção.
Pintura dela que não nega a sua progênie. Fino supor da estação em seus quarenta anos. Aqui sou-lhe de arcaísmos sisudos a cumprimentá-la de língua para fora; às vezes contando as anedotas de Cibele, e ruflando sua saia pudica ao falar-lhe sobre joelhos e quadril. Dela, sobre os seus joelhos e seu quadril, vem a pessoa prática: vive para sempre, uma Mélide contraste à Gautier.