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Gôngula em papiro II

Não há por aqui tal primavera cidônia de Íbico, aquela que traz seu séquito. As Mélides e as ninfas chegam emergidas d’água durante a corrente no asfalto, simulacras à ventania ruidosa, paisagística e selvática da Trácia.
Vulto tênue que se apega. Dela é movida em meio ao ciclo do vinhedo coberto de um feroz brilho. Vai-se sem deixar pulso nas veias – ela que então torna-se árvore agarrada a sua vida sem ar que a parta.
Folhas se esvaem das Mélides simulacras. Uma álgida folha cinza-oliva dela desliza na boa relva que passos perduram úmidos. Cada uma, pequena canção nua e impudente ao pé-ligeiro do sopro. Pertinente preferência d’alguma ninfa iludida e arguida vertigem da emoção.
Pintura dela que não nega a sua progênie. Fino supor da estação em seus quarenta anos. Aqui sou-lhe de arcaísmos sisudos a cumprimentá-la de língua para fora; às vezes contando as anedotas de Cibele, e ruflando sua saia pudica ao falar-lhe sobre joelhos e quadril. Dela, sobre os seus joelhos e seu quadril, vem a pessoa prática: vive para sempre, uma Mélide contraste à Gautier.

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…