sexta-feira, 13 de maio de 2016

A própria caverna

Assim o toque ancestral desfez a premissa de sua angústia. De pássaros em pássaros criava seu rumo sem se esquecer do ninho, e codificava seu novo conceito cantando. Mas, epicurista no seu vestido todo branco, ela era toda ela! Nem as clássicas Rita e Pombinha dançavam alçando voo, nem a queda lhe trazia tanta satisfação nos passos...
Bicho de lápis definido na ponta fina de seu caminhar. De pássaro em suavidade, o tempo era um endosso de seu amálgama. Lá, em sua terra natal de si, Platão sequer a escurecia – pois de tom confessional, era ela uma prosaica entrega.
Foi do balanço de seus cabelos a música de uma nota só que soava desta paixão grega em solilóquio. Algures seus sintonizavam a pergunta sem que a certeza fosse pontuada n’algum necrológio... Os animais se extinguem, a poesia de Meireles na língua fica. Da perda ainda resiste o objeto à espera de inspiração. E ela segura em seus dedos o mundo todo de si com suas agruras pessoanas, respondendo à paixão grega com sua canção de cicatriz...
Ela respirou a palavra que a mim assomou seu fôlego... A vida da fruta fluiu infindável por todo o antigo labirinto no qual se encontra perdida (nela) o significado. Foi silêncio, foi a resposta de Bob Dylan soprada no vento: a fala gullariana que a poesia exume do pó, jazida sob o temor que cala a voz; este toque ancestral que ouvimos em suma para confessar sussurrando à própria caverna.