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Cruzar a linha

Fundei um planeta em seu rosto. Desde as pequenas conduções fluviais de gotas cansadas e somadas que dele fluem desembocando prazer de oceano gargalhado ao chegar a sua boca. Uma terra servil continente de sua pele firme no dia-a-dia, logo com céus a espreitar desse seu olhar ao alto brilhante o sonho ileso no tempo.
Do seu rosto surge um mundo que exploro no meu lado só, na guarida mais recôndita das desculpas antes de cruzar a linha... Porque não na ponte que me leve à criação que lhe fiz... Mas há um suspiro, um toque de voz, um amor que causa o caminho, um invisível que vê no rosto dela toda a metafísica que cria a liberdade. Um invisível que vê na presença dela uma abstração da eternidade.
As luas que compõem suas feições sorriem, fantasiam, choram, traem sobre escolhas plantadas, ceifadas ou mortas. Seus astros fazem o muro desta linha entre ela e mim. O amor é um caso que se põe frente a mim – a face realidade na ferida de um desastre herdado. Eu criei esse rosto, que antes é seu.
       Mas há um suspiro, um toque de voz, um amor que causa o caminho,
            um invisível que vê no rosto dela toda a metafísica que cria a liberdade.
     Um invisível que vê na presença dela uma abstração da eternidade.
Um planeta que percorro com os passos dos olhos, chegando por trás de suas montanhas ao sorrir; que logo faço meu ser de areia para ela, seu mar, me levar... Levar-me no seu bem, no seu mal... Da sua eternidade, minha amada, o que virá de mim? Qualquer abismo é a acolhida do novo e da certeza. Se o amor também causa este caminho, atrás da linha permaneço com o seu bem. Permaneço como o mundo parece, como o mundo é seu, como o mundo que de ti gero num suspiro, num toque de voz, invisível na presença física de compreensível final...

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