sexta-feira, 20 de maio de 2016

O concreto de nós

Esta é a casa que tenho uma vontade indelével de brincar de amarelinha. O céu é logo ali, mas há quem resista desviando. Quando precisamos nos isolar para voltar a crer no mundo? Quando e como será que o mundo voltará a acreditar em nós? Paz é o significado que nós encontramos – e deixamos – no mundo? Ou que levamos conosco?
As flores que nós colhemos por conta própria têm mais perfume. Assim agrupamos o recolhido buquê como taças para que ninguém deixe de brindar. De quatro em quatro num cecererececê que logo multiplica dezesseis na orgia... As intenções se perdem em meio ao titilar dos corpos. Cirandam-se os copos e o suor das mãos como se fossem brincadeira de roda. Meus malditos inocentes. Somos essa miscelânea de boas canções. Trilhamo-nos gratos sempre enternecidos pela gratidão.
Caso a sorte desfaleça em nossa mão, plantemo-na. Há de (re)nascer em trevo de quatro folhas. Alguém sobre a brevidade colherá asas de borboletas, privilegiado do acaso de suas altruístas ações. Bonitas ambições de voo.
Nesta casa passamos o dia com releituras até que, de repente, alguém resolve participar o espetáculo mais bonito. Todos correm para a primeira janela para facilitar ser feliz... O eco da luz é a sombra. A sombra do som é o silêncio. Quem mistura as percepções sente melhor. Neste lado aproxima-se o breu do ventre gerando algo melhor...
O que guia nossos passos ramifica a nossa mente. Esta casa de abraço é para enternecer o frio e enaltecer o brio. Amanhecer nesta casa dignifica! Ensino aqui uma infância na minha saudade. A cidade natal me faz invariavelmente feliz...