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Sobre as cláusulas

Eis que encontro um grito de Munch já acostumado... (Foto: Larissa Pujol)

Quantos afagos constituem uma perda? Quantas lágrimas semeiam uma cura? Quantas orações atendem um milagre? Quantas promessas cegam uma ilusão? Quantos minutos contam um esquecimento? Quantos sonhos realizam uma vida? Quantas derrotas nos fazem arrependidos? Quantos abraços constroem um abrigo? Quantas recusas tentam uma nova espera? Quantas esperas geram a esperança? Quantos suspiros silenciam uma confissão? Quantos sorrisos determinam uma paixão?
Quantos sussurros sentem um arrepio? Quantas convicções formulam a ideologia? Quantas mudanças mobilizam uma revolução? Quantos sabores pintam um beijo? Quantas idas-e-vindas o amor ainda confia?
Quantas retaliações fazem a violência? Quantos direitos articulam a solução dos conflitos? Quantos conflitos somam apostas? Quantos direitos formalizam a violência? Quantos impasses cultivam o ódio? Quantas guerras decretam a falência do direito? Quantos direitos cultuam a violência? O direito fracassa na guerra? A religião coíbe ou cultiva o ódio? O direito o coíbe ou o cultiva? A dor é um erro do cuidado? O erro é um descuido da dor?
Quantos abraços acolhem um pesar? A boa intenção é feita de clichê? A grande vaidade é ser modesto? A felicidade é uma ideia velha?
Quantas dúvidas constroem a chegada?

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
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Entre amigas: a passividade do possível

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