sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sobre as cláusulas

Eis que encontro um grito de Munch já acostumado... (Foto: Larissa Pujol)

Quantos afagos constituem uma perda? Quantas lágrimas semeiam uma cura? Quantas orações atendem um milagre? Quantas promessas cegam uma ilusão? Quantos minutos contam um esquecimento? Quantos sonhos realizam uma vida? Quantas derrotas nos fazem arrependidos? Quantos abraços constroem um abrigo? Quantas recusas tentam uma nova espera? Quantas esperas geram a esperança? Quantos suspiros silenciam uma confissão? Quantos sorrisos determinam uma paixão?
Quantos sussurros sentem um arrepio? Quantas convicções formulam a ideologia? Quantas mudanças mobilizam uma revolução? Quantos sabores pintam um beijo? Quantas idas-e-vindas o amor ainda confia?
Quantas retaliações fazem a violência? Quantos direitos articulam a solução dos conflitos? Quantos conflitos somam apostas? Quantos direitos formalizam a violência? Quantos impasses cultivam o ódio? Quantas guerras decretam a falência do direito? Quantos direitos cultuam a violência? O direito fracassa na guerra? A religião coíbe ou cultiva o ódio? O direito o coíbe ou o cultiva? A dor é um erro do cuidado? O erro é um descuido da dor?
Quantos abraços acolhem um pesar? A boa intenção é feita de clichê? A grande vaidade é ser modesto? A felicidade é uma ideia velha?
Quantas dúvidas constroem a chegada?