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Ao abrir os olhos

Ao abrir os olhos já percebemos em nosso redor as sólidas experiências vestidas de guarda a nos transmitir a mais deslavada mentira sobre o verbo. Que cada ação corresponde ao seu ato com objetivo, o mesmo objetivo alcançado de Dostoiévski que principia a morte.
Tentam-nos sentar na carteira a desfrutar como terceira pessoa os casos de poesia passados nos livrinhos; mas que depois, no próprio corpo, os adultos nos convencem da nossa incapacidade de ser verdadeiros. Castigam-nos para este fim. O castigo coíbe a evolução. Logo, chegamos a crescer escusos da permissão, saboreando luas de queijo, chegando ao sétimo céu com tapete voador de borboletas e tornando-nos o próprio Epaminondas que trata o diagnóstico drummondiano incurável para o nosso sério caso de poesia.
Mesmo assim vamos nos desabsorvendo com a brevidade da sobrevivência. Existe o capital do tempo na promiscuidade das ideias. O paradoxo de viver num mundo de fronteiras e identidades fluidas. De nos informarmos no mesmo segundo sobre um atentado e sobre um ato beneficente no mundo. Com a brevidade da sobrevivência – esta sólida experiência – finalizamo-nos em corpo. A vida, lição de casa segundo Quintana, deixa as questões mais difíceis para o tempo, não mais delirando o verbo como no princípio... Adoecemos da razão de gostar do verbo e da palavra presos. Finalizamo-nos antes durante crianças de castigo e hoje endurecidos de tumor capital, sem derreter o tempo em poema e acreditando que a felicidade é um lago parado.

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