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Indispensável assim

Foto: Larissa Pujol.
 
E o café segue esfriando durante a névoa quente do por que... Enfim conclui a maquiagem. A fuga é a mais longa das respostas, que chovem também embaçando a janela. Nem a manhã tirou a nossa fotografia da cinza, porém o teu abraço ao dizer que espera por mim me faz ter o cuidado que isto não é mal...
Antes de dormir adquiri algumas pendências nas estórias que contigo adormeço. Perdi um quarto de hora nessa bossa que tu passas a ter cara de passado – embora eu tenha sequência de mim neste ninho, embora eu tenha aqui os dias que irão surgir, embora num destes dias eu não dure até o fim... Então ao dormires depois de mim me faz ter o cuidado que isto voa para a minha graça – a graça de mais um dia ao teu lado – ah, tens no abraço a minha melhor morada dos dias que se despedem da vida...
Do trabalho à porta, enfim, uma verdade que no teu beijo cesso a luta. De mãos comigo até a cozinha, tu me entregas um pedaço de bolo “receita da família” e uma xícara de chá ainda esfumaçando a miragem... Embora a casa desmoronasse neste momento, eu, te confesso, não perceberia porque estou na melhor morada desse abraço prendido e cuidadoso do meu voo para a minha graça...

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Resistência: ela não quer. Desistência: ela me procura. Sigo-a. Ela fecha a porta. Não me deixa entrar.
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