sexta-feira, 17 de junho de 2016

O registro do poema

Agora, o próximo desafio: fotografar o interior do sempre... Foto: Larissa Pujol.

Sexta-feira, antes de ir ao colégio, tentei fotografar um poema, o mesmo poema que desafiou Manoel de Barros nas figuras anímicas do silêncio. Despertei um tanto depois das suas quatro da manhã, e diferente da festa que ele voltava, eu me preparava para a semana que resta... Ainda não se ouviam ruídos nem murmúrios sorvidos do chimarrão na minha vila. 
O outono estava parindo friamente mais um dia... 
Ia pelo céu o carregador desta foto, era o mesmo silêncio que agora carregava as nuvens bêbadas. Nuvens que tropeçavam com os passos tontos do breu, esbarrando nas portas e nas frestas das janelas com pálpebras valsadas querendo pregar-se como lesma - mais à existência do que ao começo petrificado do dia. Este mendigava levantar-se olhando do alto com o mesmo azul-perdão... 
Era a mesma paisagem velha desabando sobre o teto do sempre. Mas o que se fotografa no interior do sempre? 
Logo mais, esses braços de nuvens colocariam a sua calça, e seguiriam com Manoel e Maiakovski sendo a poesia a noiva a casar-se somente de véu... 
O dia - fotografado - amanheceu legal...