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De uma história

Com o estado d’espírito já lúcido para morrer, um caro esquecido busca a lealdade na tabacaria de Pessoa... Não nos apresentamos, fugimos da característica humana da palavra para alegrar o desconhecido que não nos alcunha.
O caro, esquecido de seu presente anoso, já revela seu infinito sensível... Compartilha ideias, trabalha seus fatos hoje desfalecendo na sua lenta linguagem afogada os pigarros por ser homem. Aproveitei-o ouvindo “a voz de Deus num poço tapado” e entendi que a ideia de felicidade é ir direto para o nada! Ainda que não haja escolha física ou honesta, sempre transitarei na rua que coloca defronte da outra a verdade e a realidade.
O caro esquecido pelos filhos também comentou que enfim fica só num canto para pensar e desvincular-se da pressa da ordem existencial. Suspirei o cigarro numa condição eterna de ser gente... E ele corrompeu a saudade num lapso esfumaçado de creditar no abandono uma melodia instrumental do vento que lhe acha a pele.
Então metade, um quarto, um sexto, um inteiro. Todas as fases são opacas. Fora da cama, a nossa verdade apenas tem sonhado para si mesmo. No entanto, tentamos conquistar o mundo sob a realidade. Ao menos, fumamos com tanta verdade extirpando do vício a acolhida das nossas filosofias. Na mesma tabacaria o caro esquecido e eu naquela mesa à Nelson Gonçalves, defronte “sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície.” Assim para que não haja metafísica que conheça a esperança de um caro esquecido. Dada a hora, tive de acenar-lhe um adeus. E ele sorriu leal ao poema de Pessoa com o mesmo universo sem ideal e vencido, “como se soubesse a verdade”...

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Entre amigas: a passividade do possível

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