sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sincronia

E no cigarro que acendo para expirar lembrança, te trago – em vício – comigo... Assim que a promessa curta se quebra anuviada, te trago – em vício – comigo... Quando aquela mulher se esvai da minha boca rápida-inalcançável, ou quando tenho da sua foto o melhor ninho. Envolvida num abraço fantasma de nicotina, te trago – em vício – comigo...
Quando resolvo despir os sentimentos escusos, te deixo – em cinzas perdidas – pelo meu caminho... Assim que deles recebo o colapso da minha existência, te deixo – em cinzas perdidas – pelo meu caminho.
De mim mesma os passos não serão encontrados; pois o vento profundo já derrotou os teus desmanches carbonizados... Eu te deixo assoprando lábios de beijo – em nuvens perdidas – pelo meu destino...
A covardia me faz traduzir a namorada numa simples inspiração: te expiro – em resignado destino – pelo meu vício. Toda tua lembrança denigre a boa-noite: em lençóis de nicotina te expiro – em resignado destino – pelo meu vício...
No fim das contas, querida, esta minha inútil expectativa ridicularizada à invisibilidade expirada, pela atmosfera que te vejo ir embora, retorna exasperada: te trago – em vício – comigo... 

Why does it always have
To end with humiliation for me?
[...]
I'm in a love with the girl, I am...
Who's smaller and stronger and brave
Than I'll ever be...
(Yoñlu)