sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Com as roupas de papai - Yahrzeit

Acendi a vela da memória; e dentro de casa, a flama esguia se espichava como criança ascendendo ao encontro d’alma lembrada. O jejum comum a todas as suas filhas, hoje dispersas, talvez fosse lembrado, mas o perdão da correria, quebrado por motivos de energia sobrevivente de salário.
No entanto, cumpri mais uma data de lembrança – já com o dobro da idade – no ritual encanto nostálgico trazido das palavras e sermões durante os anos que traduziram a alçada da existência. Após isto, um estudo complementar unindo força física, agitação e Sêneca... Meu El Malê Rachamin encontrado no descanso da alma que me deu a educação ideal.
Recitar a oração frente a lamparina d’alma lembrada ainda trouxe o olhar para o corpo que já envelhece em mim na cera da pele, porém no pensamento ilumina a curiosidade antes de derreter; é dizer, devo mérito à alma que criou... Medito a filha de suas ações – às vezes falhas, pois toda casa tem sua privada mas as famílias não se dão conta disso –, fecho os olhos me separando do mundo e refletindo na conduta humana as carências que determinam as mazelas entre a fé e a inteligência, relativas também ao próximo.
Boas decisões foram a sua alma lembrada. O cosmo superior, responsável também pela alegria, ampara os destinos deixados aqui e a sua emancipação. Cada destino por si num todo que tal alma ensinou: o verdadeiro ensino é a lembrança.

Permitiu-me o bom gosto da alma lembrada uma coletânea de boa solidão...