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Fulano de Tal e Sua Senhora (minha)

- Caros amigos, vejam quem sobe a Rio Branco cheios de pose: Fulano de Tal e a Sua Senhora (minha).
Como um casal moderno da música do Ney, eles tentam convencer que o prazer da foda está na procissão do sobrenome; mas os saltos dela embaixo da mesa já descobriram imediata e naturalmente a barra por onde se invade no meu vestido...
Hoje terá sessão única no Treze. Eles cumprimentam os amigos – aqueles que Machado de Assis já nos traduziu – e de braços dados se dirigem à saleta junto aos convidados de honra. A Sua Senhora (minha) exerce a mesma mecânica conversadora, conservadora cabisbaixa, armada e sorridente concordata, que entre os biombos me abraça fugidia confessando-se sem modos... Ensaiam pose para a coluna social, Fulano de Tal e Sua Senhora (minha).
Para o público hipócrita que não beija, ela bem disfarça com batom nude o cinismo de antes ter mordido meu hálito de uísque – com batom vermelho à Bakunin – se jogando sem governo em borrões de nudez...
Somente nós duas sabemos da imoralidade escondidas nas suas intenções. Que ela desce do carro de luxo e se deleita a pé na chuva para depois eu lhe recitar os Andrades, Anaïs, Telles, Gilka, Sand (ou Aurore)...
- Estimada poeta!
- Caro senhor, permita-me, pois, um aperto de mão...
Penso, ah, se o Fulano soubesse que com a mesma força eu aperto os quadris de Sua Senhora (minha)... A ela dirijo um cumprimento leve de bochecha, sussurrando-lhe no ouvido com o mesmo ar quente do cigarro: - a cor do batom é inspirada na cor dos teus mamilos, verdade?! – A Sua Senhora (minha) desequilibrou a pose do olhar, mas ainda se manteve firme no salto da boa-vida...
- Desejo tudo de bom aos senhores, Fulano de Tal e Sua Senhora (minha)... E que D’us os acompanhe, senhor Fulano de Tal e a Sua Senhora (minha!) 

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