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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Aliança

Observou a roda viva que no símbolo figurava-se o moinho de voltas triturantes. São órgãos e lágrimas à água movida para não apodrecer. Somos crianças e incertezas a partir do silêncio que a promessa do fim prospera.
Sem mais, vestidos de moça não ventam a roda viva. Se promete ela sambar, que faça em cima do meu caixão. A fita amarela de sol antigo e brasante com bravura desmancha a ternura da voz ansiada ao ler o nome dela ali escrito. É dizer, salva-vida n’algum expresso suspiro ao nascimento qualquer.
No alento, uma queixa resumida. Foi na sua espera a criação da minha desculpa. Um tempo ardiloso em que a poesia torna-se a rima da hipocrisia... Sonhou a esperança. Cantarolei Cartola inspirando-lhe confiança à sua responsabilidade. Dei-lhe liberdade. Ela compromissou a liberdade dada. Significou amor.
Um pêndulo à sorte do humor. Exclamação duradoura durante o reticente amanhã vindouro. Perante as mesmas águas movidas pelo moinho já tomamos decisões importantes no seu final à beira-m…

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades II

- Ainda não compreendo tua tristeza desde que saímos. Tentei pegar a tua mão e te esquivaste. Tentei te acolher, mas desisti quando usaste a desculpa de preferir o envolto frio da echarpe ao meu abraço... Estás aborrecida! Diz-me por que.
- Porque tu me fizeste passar um mau momento.
- Eu?! Eu por quê? Alguém te ofendeu sem que eu visse? Ou...
- Não. Todos foram amáveis.
- Não gostaste dos meus amigos?
- Não são teus amigos! Não foi a comemoração! Não foi o local!
- Então o que foi?
- Fui eu! Eu! Eu que completamente estava fora de lugar!
-...
- Tu não imaginas, Larissa, o mal que me senti quando, por exemplo, me perguntaram “que opina: a convivência mata a paixão?”. Ah, como eu vou saber? Estou casada há mais de trinta anos. Nunca tive tempo para considerar. Outro fato “o que a senhora faz?”. Eu?! Agora estou aposentada, mas só me dediquei à minha casa, às minhas sessenta horas de colégio, a fazer as compras do mercado, a atender ao marido e aos filhos. Sim, eu tenho três filhos! – …

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
- Exceto eu.
- Saúde.
- Ainda não entendo por que fazes tudo demasiado bem para o meu gosto...
- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
- Algo aprendi das mulheres – e que ainda não havia descoberto em mim – é que quando não se entende o porquê de suas palavras é que ela venceu a partida.
- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
- Vinte e seis anos, Larissa!
- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
- Por que te afeta …

Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…