Pular para o conteúdo principal

Aliança


Observou a roda viva que no símbolo figurava-se o moinho de voltas triturantes. São órgãos e lágrimas à água movida para não apodrecer. Somos crianças e incertezas a partir do silêncio que a promessa do fim prospera.
Sem mais, vestidos de moça não ventam a roda viva. Se promete ela sambar, que faça em cima do meu caixão. A fita amarela de sol antigo e brasante com bravura desmancha a ternura da voz ansiada ao ler o nome dela ali escrito. É dizer, salva-vida n’algum expresso suspiro ao nascimento qualquer.
No alento, uma queixa resumida. Foi na sua espera a criação da minha desculpa. Um tempo ardiloso em que a poesia torna-se a rima da hipocrisia... Sonhou a esperança. Cantarolei Cartola inspirando-lhe confiança à sua responsabilidade. Dei-lhe liberdade. Ela compromissou a liberdade dada. Significou amor.
Um pêndulo à sorte do humor. Exclamação duradoura durante o reticente amanhã vindouro. Perante as mesmas águas movidas pelo moinho já tomamos decisões importantes no seu final à beira-mar. Transformamos períodos simples em questionamentos. Seguramos as mãos sabiamente fortalecidas contra os nãos. Seguramos as mãos sabiamente, não sacamos as armas.
Não cultuo a minha porção louca, mas também não a reprimo. Seria eu uma hipócrita se não deixasse qu’ela fizesse parte da minha responsabilidade. A pessoa antes distante, que deixa livre, sabe, ao voltar, achegar-se de novo... Escolhas e esperas combinam com amor.
Resta, portanto, se jogar no sofá – tão longe – trocando o vinho à beça na cabeça pelo uísque à beça n’alma. O caleidoscópio dos velozes enfim acha o tempo achado nos beijos furtivos. Somos Clarice à crônica alinhavada independente de.

Postagens mais visitadas deste blog

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
- Exceto eu.
- Saúde.
- Ainda não entendo por que fazes tudo demasiado bem para o meu gosto...
- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
- Algo aprendi das mulheres – e que ainda não havia descoberto em mim – é que quando não se entende o porquê de suas palavras é que ela venceu a partida.
- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
- Vinte e seis anos, Larissa!
- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
- Por que te afeta …

Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…

Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…