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Sobre São Paulo a sós II

"Deve ser louca, deve ser animal. Hálito de gim, vai fingir, vai gemer e dizer: Ai de mim! E de repente deve ter um engenho, um poder que é pra menina fraquejar, alucinar, derreter..."

- Esta manhã colaborou com você. Verdade? – Perguntou a ela.
Ela suspira resultando aquele risinho final malicioso.
- Passei toda noite na Virada Cultural e amanheci com as buzinas da Brigadeiro. Fingi estar com amnésia e ainda não voltei para casa... Nem fui ao trabalho. Até estou mascando chiclete para dar o efeito de limpeza dental. Olhe. – ela bafora lentamente próxima a boca da pessoa ao seu lado. – Disfarça bem, não é?
- Aroma de tutti-frutti. – respondeu – Tem um para mim?
- Ah, aham! – ela abre a bolsinha tira-colo e acha um envelope de gomas em tabletes. – Pode pegar... à vontade! – frisou.
E esta adverbial vontade foi mastigada junto com o intuito de saber mais sobre a menina, aliás, moça, aliás, mulher jovem que confiava suas artimanhas jocosas. A esguia matéria contida na sua figurada breve idade atraia os olhos daquela pessoa ao seu lado, que a assiste esperando aquilo que o cinema americano tem de melhor. Tomou coragem:
- Eu ainda não acompanhei a Virada este ano.
- Pô, está lin-da! Cê curte MPB?
- Claro! – Disse com o claro contentamento de enfim estar compartilhando um bom gosto.
- Parabéns, seus olhos brilharam! – Surpreende-se. – Não é comum encontrar alguém que afirme com tanto entusiasmo seus interesses. Quando pergunto, geralmente um marasmo inaudível mostra a incompleta capacidade de amar o que se acredita. Não sei se você me entende, mas tenha certeza de que sua resposta me emocionou!  

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